Os castigos corporais aplicados na escola

Os suplícios físicos aplicados às crianças nas escolas foram prática que perdurou ao longo dos tempos. Em Portugal, foi apenas na segunda metade do século XX que começaram a vingar as teorias pedagógicas contrárias a esse tipo de castigos.

Por tudo e por nada aplicavam-se castigos corporais

Paulatinamente sobrevieram as teorias da humanização da aprendizagem escolar, em parte expressas nas teses do mestre espanhol Ramon y Cajal: «o emprego discreto e preferente do afago e da persuasão com alegação dos motivos racionais de cada mandato e, sobretudo, a confiança – fingida ou real – no talento potencial do menino, talento que só espera ocasião para manifestar-se, constituem recursos pedagógicos muito superiores aos castigos corporais».
Do livro «Higiene Geral e Escolar», editado em 1960 para uso dos professores e candidatos ao magistério primário, da autoria do médico J. A. da Cruz Neves, colhemos os seus preceitos fundamentais e concretos, de carácter essencialmente prático, que devem seguir-se na aplicação objectiva das sanções escolares:
1º – Deve evitar-se recorrer, por sistema e a propósito de tudo e de nada, aos castigos corporais. Se não é possível dispensá-los, saibamos resistir a essa tendência cómoda de tentar liquidar tudo à tareia e empreguemo-los apenas em casos excepcionais.
2º – Importa evitar igualmente a ameaça de punir ou bater por meio de gesto simbólico. Nada mais inútil e ridículo e nada mais contraproducente também: a criança acaba rapidamente por perceber que o mestre é incapaz de punir e nunca mais fará caso ou terá receio das suas vãs ameaças…
3º – Tomada uma decisão, assente na necessidade de um castigo, é preciso executá-la com firmeza e, se possível, com prontidão e oportunidade. Repetir várias vezes a mesma advertência ou ameaça que se não cumpre, é destruir irremediavelmente no espírito da criança o sentido do respeito e da obediência, é perder, sem possibilidade de reabilitação, toda a autoridade.

Conclusão: bater nos alunos não, que é desadequado – mas, se tiver que ser, dá-las de pronto e com firmeza.
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(por Paulo Leitão Batista)

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