A agricultura enquanto sector estratégico

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

A união em torno dos produtores agrícolas locais é algo essencial para o futuro do concelho do Sabugal, por se tratar de território onde a agricultura foi passado é presente e será futuro.

Máquina de apanhar castanhas – Colónia Agrícola de Martim Rei

A agricultura está em boa forma no país. Depois de tempos de incerteza e desânimo, eis que o sector se revigorou, tornando-se estratégico, com impacto real na economia e com peso nas exportações.
Essa dinâmica agrícola dos novos tempos não chegou contudo ao Sabugal. E isso não resulta certamente da falta de potencialidades do concelho neste sector da economia. Se o clima nos cria alguns entraves, nomeadamente nas culturas hortícolas e frutíferas, que estão em grande expansão, a verdade é que há outras produções que se adaptam perfeitamente ao solo e ao clima sabugalense.
Mas para isso é preciso ganhar dimensão. Os nossos agricultores têm que apostar no associativismo e na cooperação, para ganharem economias de escala, enfrentar melhor os riscos, promover os produtos e garantir um melhor escoamento.
Mas nada se fará sem o apoio empenhado do Município. É necessário isentar de taxas e licenças municipais as unidades de produção ligadas ao sector agro-indústria e agro-pecuário, assim se incentivando a instalação de novas unidades. Esta medida, já aplicada em alguns concelhos, tem permitido um impulso decisivo para modernização agrícola.
A Câmara, de parceria com o Ministério da Agricultura, também tem que apoiar os agricultores no aproveitamento dos fundos comunitários. Nesta área é fundamental ajudar os agricultores a elaborarem projectos de investimento.
Outro factor: ligar a actividade agrícola à promoção turística. Iniciativas como a rota da castanha, das colmeias, do pastoreio, são fundamentais. O mesmo se diz sobre a realização de eventos promocionais, como a Feira da Castanha ou a Semana do Bucho Raiano.
Importa ainda apoiar a instalação de unidades de transformação de produtos locais.
Outro factor importantíssimo é apostar no regadio a partir da barragem do Sabugal, dando operacionalidade às condutas de água que já servem alguns dos terrenos ribeirinhos que, infelizmente, estão ao abandono. As águas do Côa estão a regar a Cova da Beira, mas não são utilizadas para regarem as terras de cultivo do concelho que detém a barragem!
A lavoura, que foi sempre a actividade económica mais importante do concelho do Sabugal, espera agora por um novo impulso em que o Município pode e deve ter papel fundamental.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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