Postal TV (180)

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Esta semana apeteceu-me fazer uma crónica com 4 «ses». Se acontecesse isto? Se acontecesse aquilo? E aqueloutro? Tudo o que vai ler tem enchido as televisões – e de que maneira…

Explosivos

1º se
Fiz a tropa (tempo de guerra) em Cabinda. Este é o meu mais grave e mais sentido «se». Desde o dia em que soube que alguém assaltou um quartel e se serviu – não de carcaças por ter fome, não de roupas por ter frio, mas sim de armamento por querer vendê-lo ou mesmo usá-lo, seja aqui em Portugal, seja nos confins desse mundo negro do terrorismo… desde esse dia que me veio e não me largue este se:
– Olha! E se em Cabinda alguém assaltasse o quartel? Que consequências isso teria?
1ª – Total ridículo da tropa;
2ª – Perda de autoridade – mais valia fazer de imediato as malas e regressar a casa;
3ª – No dia seguinte levar com um ataque ou a este Quartel do Bata Sano ou a outro da nossa malta.
Ou seja: se camaradas nossos fossem atacados com esse material roubado, a culpa era toda nossa; se nós fôssemos atacados com o mesmo material, era bem feita!
Impressiona a calma com que tudo foi executado. E não entendo que tenha sido arte de que atacou mas sim culpa total de quem devia guardar (só me fez logo lembrar a calma da mulher da foto a arrumar os explosivos…).

2º se
Outra situação destes dias que muito me intriga: a falta de coordenação no combate aos incêndios. E isso tem de mudar. Os Bombeiros não aceitam o comando da Protecção Civil de que fazem parte? Então antes de mais há que resolver isso. Se (cá está outro se) não há comando eficaz, como pode o resultado ser eficaz???
Mas há aqui outro se:
– Se ninguém sabia como começou o incêndio… como agora parece claro… então porquê falarem logo de trovoada e tempestade seca?
Se estudassem primeiro e falassem depois, não seria muito mais sossego?
Se assim continuam, como querem que a gente volte a acreditar?

3º se
Muito importante: se eu estou de sentinela ao mato para não arder, mas ele arde e me apanha a dormir (tudo em sentido figurado), se não estou a cumprir a minha função… então sirvo para quê?

4º se
Pergunto:
– Se os ministros se demitirem ou forem demitidos, fica resolvida a inoperância de quem foi inoperante? Ou essa inoperância continuará e a rir-se?
Estou mesmo revoltado com isto tudo – e da exacta maneira que o leitor deduz do que acabou de ler…
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«Postal TV», por José Carlos Mendes

2 Responses to Postal TV (180)

  1. Filipe Moreira diz:

    Querendo saudar o sr J C Mendes. Sou de Cabinda e estou em Cabinda. Senti orgulho ele referir Cabinda e o Maiombe que eu aprecio bastante. Abraço

  2. Josecarlos Mendes diz:

    Filipe! Esclarece-me de uma coisa: nasceste em Cabinda? Em que ano? O mundo é tão pequenino!!!!! Um grande abraço.

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