Vasco da Gama

José Jorge Cameira - Vale de Lobo e Moita - © Capeia Arraiana

Vasco da Gama (VG) – A nossa História elogia muito este Navegador. Descobriu o caminho marítimo para a Índia e outras coisas. Fui tirar isto a pratos limpos. Descobri que o “nosso” VG era do estilo Bin Laden ou até pior. Vou descrever uma das suas estórias muito sanguinárias.

Vasco da Gama

VG descobriu a Índia em 1498 e voltou. Portou-se com muita bruteza por lá e por isso D. João II enviou em 1500 para a segunda viagem dom Pedro Álvares Cabral (PAC). Nesta missão, sem querer, descobriu o Brasil, mas continuou em direcção à Índia. Este PAC era todo pelo diálogo, diplomata e por isso os negócios das especiarias não correram lá muito bem. Por isso o novo Rei D. Manuel I enviou de novo VG à Índia.
A frota de 20 navios com 1000 pessoas entre elas o cronista, ou jornalista, Tomé Lopes saiu de Lisboa na Primavera de 1502.
Após alguns percalços, passou Sofala (Moçambique), Quiloa e Cananor. Nesta região do Mar Vermelho os navios ancoraram no Monte D’Ely para meter água e enterrar 60 Portugueses que morreram de escorbuto. Nesse descanso surgiu no horizonte um grande navio de nome Miri que vinha da Peregrinação de Meca, com 240 Muçulmanos ricos e endinheirados, entre eles muitas mulheres e crianças.
VG foi-se a ele com vários dos seus 20 navios.
Os passageiros ofereceram dinheiros, jóias, ouro, mantimentos para os deixarem seguir caminho. VG recusou tudo. Os seus capitães e marinheiros estavam admirados e até revoltados pois havia ali um bom saque.
VG arrancou a tiro de canhão o leme do Miri, que começou a navegar à toa pelo mar adentro.
As mulheres gritavam por piedade, mostravam bem alto da amurada as suas crianças mas VG continuou impassível. Assim foi durante 4 dias e 4 noites.
Os muçulmanos tentaram reagir mas em vão.
VG mandou bombardear o navio junto à linha de água e este começou a afundar-se.
VG só teve uma atitude “humana”: das pessoas que estavam a afogar-se mandou recolher só e apenas 20 crianças pequenas para serem ensinadas na fé cristã.
Depois deste feito continuou até á Índia onde repetiu várias façanhas semelhantes a esta ou piores, como por exemplo bombardear povoações costeiras por mero passatempo e treino de pontaria, causando grandes mortandades e incêndios.
Resta-me comentar que estas mortandades nunca foram condenadas na época pelo Rei, nem pelo Papa. Pois quem por lá nas Índias era morto era infiel, inimigo da religião cristã.
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«Vale de Lobo e Moita», crónica de José Jorge Cameira

One Response to Vasco da Gama

  1. António Emídio diz:

    José Jorge Cameira :

    Uma realidade a do navio MIRI cheio de peregrinos que iam para Meca!
    Disse o historiador Charles Ralph Boxer no seu livro O Império Colonial Português, o seguinte:
    E os filhos de de Cristo seguiam esta senda de sangue, construindo as suas igrejas, missões e seminários, porque afinal, a rapina era uma cruzada: por muito grande que fosse a recompensa de Vasco da Gama (…) neste mundo, a sua glória seria ainda maior no outro mundo».
    José Jorge Cameira, estas verdade não são para estes sítios (o nosso concelho)…
    António Emídio

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