O livro «O Nosso Homem»

Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa - © Capeia Arraiana (orelha)

Fernando Pinto Monteiro, ex Procurador Geral da República, actual presidente da Assembleia Geral da Casa do Concelho do Sabugal, natural de Porto de Ovelha e que viveu a infância e a juventude no Sabugal, enviou um texto escrito que foi lido na apresentação do livro de António Alves Fernandes, no passado dia 17 de Junho, em Lisboa. Publicamos essa comunicação.

Fernando Pinto Monteiro - Procurador-Geral da República - RTP - Capeia Arraiana

Fernando Pinto Monteiro

Conheci recentemente António Alves Fernandes e nesse dia adquiri o seu livro O Nosso Homem.
O autor teve a gentileza de me convidar para fazer a apresentação do livro, convite que não me foi possível aceitar, como lhe expliquei, por no dia 17 de Junho fazerem três anos de idade dois meus netos e a mãe deles, minha filha, não me perdoaria se não estivesse presente na festinha que organizou.

António Alves Fernandes com Pinto Monteiro no convívio que precedeu a Capeia Arraiana em Vila Franca de Xira

Tive pena de não poder estar presente por dois motivos: primeiro, porque é sempre para mim uma satisfação ver alguém do concelho (e não só) distinguir-se, culturalmente falando; segundo porque a Direcção da Casa do Concelho do Sabugal, de que faço parte, há muito ter decidido apoiar as manifestações culturais e regionais.
Dentro desse entendimento realizaram-se aqui dezenas de apresentações de livros, várias exposições de pintura, ouviu-se música interpretada por naturais e amigos do Concelho do Sabugal, realizaram-se iniciativas gastronómicas, convívios tipicamente beirões e tudo aquilo que fizesse lembrar a região.
Na impossibilidade de apresentar o livro, foi então sugerido que poderia enviar uma simples mensagem. É isto que agora está em causa.
O livro aqui apresentado é um livro essencialmente de crónicas, de narrativas que vão de 2010 a 2017. Como os filhos do autor escrevem num pré-prefácio, o autor mostrou a sua «surpreendente veia de cronista» aos 65 anos.

O livro «O Nosso Homem»

Com escrita fluente e que se lê com agrado, o autor «conta» histórias, fala de pessoas, de terras, de costumes, da religião, da pobreza, da morte e da vida, acrescentando à realidade em que se inspira alguma fantasia, que mais faz realçar essa mesma realidade.
Não só fala da «sua» Bismula e da «sua» Aldeia de Joanes e também de outras aldeias, como escreve crónicas citadinas, lembrando Lisboa, Castelo Branco, a Guarda e o Fundão.
E tanto fala de pessoas conhecidas no Pais, como Zeca Afonso ou Eusébio, entre outros, como escreve sobre ilustres desconhecidos para a grande maioria dos cidadãos, como o capador, o barbeiro, o guardador de cabras, o varredor e tantos outros.
Quem, como eu, tem uma casa a três quilómetros da Bismula e fez a escola primária no Sabugal, não pode deixar de recordar a figura do padre Ezequiel de quem fui admirador e amigo, apesar da diferença de idades, da Natália, a querida «Talinha», o senhor Abílio, cujo café frequentei durante anos, ou o Dr. Orbílio Barbas, tendo a filha do mesmo, de quem sou amigo, sido minha assistente no ensino universitário e que já concluiu um brilhante doutoramento. Muitos outros leitores irão reconhecer várias pessoas que os farão recordar tempos antigos.
Diga-se, por curiosidade, que o autor vai além dos ilustres conhecidos e amigos desconhecidos para falar, por exemplo, de um homem que não era nem uma nem outra dessas figuras.
O «Senhor do Adeus», personagem famosa para o Lisboeta, é também referido, e não posso deixar passar o pormenor de a resposta sobre solidão que ele deu ao autor ser muito semelhante à que deu ao meu filho numa entrevista para uma revista de Lisboa, o que significa a coerência do mesmo.
Biógrafo do povo, como lhe chamam, é de facto uma caracterização bem feita. O povo passa por todo o livro como o herói, anónimo muita vez, mas sempre herói.
Para «mensagem» penso que já excedi o tempo razoável.
Termino dizendo que gostei de ler O Nosso Homem, felicito o autor e recomendo que comprem o livro e o leiam.
Fernando Pinto Monteiro

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