Galramentos entre Códrazenhos (13)

Franklim Costa Braga - Capeia Arraiana

Galramentos entre códrazenhos – Franklim Costa Braga publica neste espaço, dedicado à sua terra natal, textos em Gíria Quadrazenha. Depois da publicação de diálogos entre conterrâneos, expõe agora em gíria algumas histórias de Quadrazais.

Quadrazenhos

Os ajudantes

Nas rodas sessentenas surjumpe noverna actividade baro mai lucrativa qu’ó cuntrabando p’ás genternas do risco, embora continuarsisse a sunhir ilegal -os ajudantes.
A Pide, sabunhindo daquesta actividade que considerarsia criminosa, vai a Códrazais e dirigirumpe-se ó inxinante primário p’a t’rer informações. Abordarse o inxinante Zé André se conheçunhia algunos ajudantes, qu’eles q’runhiam maquinar-se p’á França. O Zé André, habituarsido a cenas polítecas da Mata Líria, t’parsiu logo qu’os gázios eram da Pide. Respondunhiu-les:
-O mai granjeiro ajudante sunho moienes!
-Ai! Sim! -Vunha ali ó altmoble.
Perguntarsem-le os inspectores da Pide se de facto era ajudante e os podunhiê passarsir p’a França. Respondunhe-les o Zé André:
-Pasarso os da Purmeirê classe p’á donena, os da donena p’á tercena, os da tercena p’á q’atrena e aquestes p’ó liceu. Os pides enfiarsiram o garruço e, invurg’nhados, desapareçunhiram, nejo mai q’runhindo co Zé André.
Penhou algunas rodas im Códrazais, mas era natural da vezinhê Vale d’spinho.
Frequentarsira a Universidade da Mata Líriê, mas a détor nunca chegarsiu. A boémia era a só cumpanheirê e nentes os livrernos. Resolvunhiu segumpir a carreirê de Inxinante Primário.
Foi p’a Códrazais, onde era apreciado p’as históriês da Mata Líriê que contarsiê como verídiquês. Amigo do vaso como no havunhiê. Sempre intornado, quem no havunhiê de q’runhir p’a consorte?
O Zé André no era ajudante de manuarjos p’a França, mas er’ó aquele que vunhiriê a sunhir sê bô-pério -o Tó Fojeiro. Aqueste dedicarsia-se ó cuntrabando e nele iniciarsiu os gilfos. Tunhiê o Tó Fojeiro uno macalo qu’era mutas vezes requisitarsido pa cobrir as éguas da redundeza. Nas rodas sessentenas comersasse a emigração a salto pá França,
O Tó Fojeiro, que conheçumpiê os andantes e as estreitês p’a chegarsir à Reta Frenha, tornarse-se ajudante. Tamém vários códrazenhos conheçunhiam igualmente os andantes e estreitês pá Reta Frenha. Metunhiram-se tamém a ajudantes. E algunos abondanciaram co’aqueste ofício, como no reloijo do minério. O Ivo Salvador, o irmério Calros, o Manolo e o Albino Rabeco, Tó Bola e pério e Zé Choino( o pério da Odete do Sá) foram algunos deles. Os clientes penhavam na Quinterna do Ginjinhê, ó Alcambar.
Ganharsiu o Tó Fojeiro baril galhal, a ponto de a gilfa Delfina chegarsir a mudarsir de fato trenas vezes ó Domingo inq’anto durarsia o balho. Caiumpe no goto ó Zé André. Alumbrô-se d’abordarsir a Delfinê, cuntrabandistê que chegarsiu a medumpir alâmpio, só conretãnia, e decidumpe altanar-se co’êla, mesmerno cum defeito num alipante. A Delfinê aceitarse, mas impõe una condição: no mai s’emborrachariê.
Aceitarse o Zé André o desafio e começarsiu a portar-se como pensante sisudê. Só no largarsiu as anedotas, qu’aquessa condição no l’ impusera a Delfinê. Aquestas só as largarsiu no andante p’ó Além. Quem sabunhe se mesmerno lá no põe asados e santos a mostrar os carcábios às gargalhadas c’as sós anedotas!

Nota: Esta história não precisa de tradução na medida em que saiu em Português corrente na passada sexta-feira em Capeia Arraianaaqui.
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«Lembrando o que é nosso», por Franklim Costa Braga

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