O Etnocentro Fronteira de Memórias

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Há quatro anos anunciou-se para o Sabugal um projecto designado «Fronteira de Memórias – Centro Interpretativo do Contrabando, da Emigração e das Capeias Arraianas», considerado essencial para o concelho e que comportaria um investimento de 1,5 milhões de euros. O tempo passou e o vento varreu a ideia.

O contrabando é uma das memórias a preservar (imagem do Museu do Contrabando em Moimenta – Bragança)

Um Centro Interpretativo assume geralmente a forma de espaço museológico tendo por missão promover o estudo e a divulgação de algo que assume importância histórica, etnográfica, cultural, religiosa ou económica para uma comunidade. Ele conserva as memórias, protege o património e realça o material e o imaterial.
Pode assumir-se como centro de divulgação e estudo, promovendo relações com diferentes públicos, servindo como ponto de partida e de chegada de uma viagem pela história ou pelo património.
Para que um Centro Interpretativo se constitua é preciso reflectir sobre o que se pretende, recolher informação, elaborar um projecto, encontrar meios de financiamento e, depois, passar à acção.
Vem isto a propósito da intenção que houve na Câmara do Sabugal de avançar com o projecto «Fronteira de Memórias – Etnocentro do Contrabando, da Emigração e das Capeias». A ideia era instalar o Centro em «terreno da autarquia, situado junto das Escolas, das Piscinas e do Pavilhão Municipal do Sabugal» e candidatá-lo a fundos europeus.
Em Fevereiro de 2014 o presidente do Município declarou à Comunicação Social que o Centro «dará a conhecer as tradições genuínas da raia sabugalense». E acrescentou: “É um projecto que persigo há 2 ou 3 anos e que considero emblemático e potenciador da visitação ao concelho do Sabugal». O autarca queria algo «vivo e inovador», que apostasse nas novas tecnologias – «um espaço dinâmico, que chame o visitante para experiências novas».
No que toca às capeias prometeu-se até um simulador de forcão, «que permitirá ao visitante participar, ainda que virtualmente, nesta actividade tão particular» do concelho.
O tempo passou e o dito Centro Interpretativo ficou apenas na memória das promessas inconsequentes.
A verdade é que o concelho precisa de apostar no futuro agarrando-se à história e às tradições, que são parte importante do seu património. Há municípios que pegaram nesse tipo de projectos e fizeram deles autênticos chamarizes. Disso são exemplo o Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, na vila alentejana com o mesmo nome, o Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia, em Peniche, que proporciona um passeio pela geologia, paleontologia, arqueologia e história do lugar, ou ainda o Museu da Memória e da Fronteira na vila raiana de Melgaço.
:: ::
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

Deixar uma resposta