Maria

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

A minha razão diz-me que desde que partiste para o Infinito nunca mais ninguém te viu, a minha fé eleva-te em pensamento, não necessariamente num sumptuoso santuário ou imponente catedral, basta-me um passeio pela Natureza que envolve a cidade onde vivo, ou pelas margens do rio que a beija.

Mulher da Palestina - António Emídio - Capeia Arraiana

Mulher da Palestina

A Razão e a Fé religiosa são de natureza distinta, mas através da História houve muitas teorias para demonstrar a sua compatibilidade e até afinidade. Anselmo de Canterbury, pai da Escolástica (filosofia católica) já falava na importância da Razão Humana como instrumento de conhecimento. Mas a religião cristã parte de uma verdade, ou valor que não se revela de forma visível, vive de fideísmo.
O Deus Hebreu era um Deus nacional, mas o judaísmo elevou-o a Universal, o único e verdadeiro, um axioma que infelizmente o Cristianismo fez seu, com isto abriu-se caminho ao dogmatismo e exclusivismo teológico que caracteriza a Igreja Católica, esta, para se proteger, funda a Inquisição, estimula o fanatismo, a intolerância e o obscurantismo. O que podia sair de tudo isto ? Um pensamento anti-religioso que ao longo da História tem lutado contra todos os dogmas e imposições do catolicismo.
A minha Razão e a minha Fé não aceitam que Maria, Mãe de Cristo, tenha estado algum dia em Fátima, penso que o que deu origem a Fátima foi o momento histórico que Portugal atravessava em 1917, como o radicalismo da República em relação à Igreja Católica, a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, e a vontade da Igreja possuir uma Lourdes em Portugal, vontade vinda já de há muito tempo, porque Lourdes era o destino de uma peregrinação que a partir de finais do século XIX a grande burguesia portuguesa fazia.

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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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