Castelo do Sabugal

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Imóvel e cinzento cercado de nuvens à procura do azul do céu – assim começa o texto poético de Alcínio, onde exalta a magnanimidade do castelo do Sabugal, envolto em mistérios, testemunha de momentos de glória e vigilante do passado e do futuro das terras que domina do alto da torre de menagem.

O castelo do Sabugal da perspectiva de Alcínio


Imóvel e cinzento cercado de nuvens à procura do azul do céu
Como um rochedo gigante que se ergue no alto da cidade
A atestar a sua invencibilidade e o seu domínio sobre os cidadãos
A quem nem o tempo nem o inimigo jamais destruiu
Aqui está desafiando a quem ousar roubar lhe o seu domínio
Envolto nos mistérios que guarda no íntimo do coração de pedra
Nem o vibrar dos ecos de rumorosos duelos ou batalhas com o sangue ensopando seu solo ou escorrendo pelas sua pele granítica já mais se deu por vencido.
Meditando ou recordando outros tempos de glória
Quando resistiu a alcaides, guerras, batalhas, catapultas, assaltos, terramotos, vendavais e outros cataclismos
Ficaste para testemunhar que vontade dos homens é inquebrantável quando motivados
E por boas causas ou necessidades, são invencíveis, nem o tempo apagará a sua memória
É curta e vã a glória dos homens, mas sua obra não.
Passam os homens e esquecem se seus feitos, só tu resistes à guerra e destruição
Aqui se caldeou a vontade deste seu povo indomável que resistiu à aspereza
Do clima da aridez do solo da fome ou miséria invadindo outras terras outras gentes
Que na calada da noite ou por veredas ocultas saíram em sortidas silenciosas para países distantes
Onde conquistou o apreço e solidariedade e o progresso.
Quem poderá ousar usurpar aquilo que seus guerreiros conseguiram com tanto sacrifício?
Ninguém se atreva porque as suas hostes só aparentemente estão moribundas
Às tuas ameias, quais mãos erguidas para o céu numa prece, juntamos as nossas para que a tua e a nossa glória seja reposta.
Do alto da tua imponente torre de menagem e das tuas majestosas muralhas estaremos vigilantes para quem ousar denegrir o teu passado.

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«Vivências a cor», de Alcínio

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