António Victorino de Almeida

A Música dos Clássicos - Capeia Arraiana

Ao escrever-se a História da Música Portuguesa do século XX não poderemos esquecer António Victorino de Almeida, pois trata-se de alguém que tem um legado cultural muito importante, e é uma das figuras mais emblemáticas no panorama musical português dos últimos 40 anos.

António Victorino de Almeida

António Victorino de Almeida

A sua ligação com a música vem desde a infância, pois a sua família tinha fortes tradições culturais, e muito em particular com a música, pelo que não é de estranhar o seu ingresso no Conservatório de Música de Lisboa para aprender Piano. Aos 20 anos escreve a sua primeira sinfonia (à qual dá o nome de Benfica – são conhecidas as suas relações com este clube), com a qual ganhou os seus primeiros honorários.
No sentido de complementar os seus estudos de composição, parte para Viena, e no ano de 1966 (após a conclusão do curso) o governo austríaco atribui-lhe o prémio de melhor aluno desse ano. Regressa a Portugal onde realiza alguns concertos e faz crítica musical, mas em virtude de não ter uma fonte de rendimentos fixa regressa novamente a Viena para estudar música eletrónica. Um dos momentos de viragem da sua vida dá-se no ano de 1969, altura em que é convidado para um programa do Zip Zip na RTP. A partir daí concebe programas de autor em que a divulgação da música clássica ganha um forte aliado, pois consegue conjugar de uma forma muito eficaz o conhecimento formal com uma capacidade inata de comunicador.
A sua atividade fundamental tem por base a música, mas não é exclusiva, pois realizou um filme (documentário sobre música de cinema – aqui), adaptou música para teatro, foi adido cultural em Viena, candidato ao parlamento europeu, escritor, professor, maestro…
As suas composições têm um leque muito alargado de estilos e influências e abarcam desde a música solista (sobretudo para piano) – aqui, câmara (por vezes em agrupamentos pouco comuns – situação que levanta sempre um novo desafio) e orquestral (aqui).
A imagem visual que normalmente fica deste compositor, e que tanto o caracteriza, é a sua ligação à bengala (pelo que sabemos não lhe faz falta para a sua locomoção) e o penteado em desalinho…
Como forma de completar esta exposição convidamos o leitor a assistir ao excerto do programa Zip Zip – (aqui).
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«A Música dos Clássicos», por Luís Teles

One Response to António Victorino de Almeida

  1. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    caro Luís Teles
    Infelizmente não tive a oportunidade de assistir à estreia mundial de um peça de António Vitorino que se verificou no histórico festival de Vilar de Mouros antes do 25 de Abril.
    Mas tive a oportunidade de ver a mesma peça, para orquestra e Zés Pereiras, na 1ª edição do festival pós 25 de Abril.
    Um deslumbramento!
    A orquestra (clássica) representava os donos do mundo, os zés pereiras o povo.
    E depois de uma luta renhida entre as duas sonoridades, o povo acabava por vencer, convencendo os senhores a tocar a sua melodia, ao seu ritmo!
    Espantoso!

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