O Sabugal como capital regional

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O Sabugal pode ser mais do que mera cabeça de concelho, pois tem potencial para se afirmar como capital da Beira-Côa, desde que se imponha em diversos campos de acção – político, económico, social, cultural e até gastronómico.

Sabugal

Sabugal

Na Confraria do Bucho Raiano, a cujo projecto estamos pessoalmente ligados desde a sua génese, os Estatutos apenas falam do Sabugal para afirmar que é aqui a sede da associação. No demais, na defesa e promoção gastronómica centrada no bucho raiano, o texto fala sempre em Riba-Côa e Beira-Côa. É precisamente nas duas margens do rio Côa, que a Confraria ambiciona implantar-se, até porque o bucho é um produto regional: produz-se no Sabugal, mas também nas terras da Guarda, Almeida, Pinhel e Penamacor.
A Confraria tem que ser agregadora de todo esse território. E, como somos bairristas e conhecemos o valor e o mérito da nossa terra, defendemos e afirmamos o Sabugal como capital da boa gastronomia raiana, em especial do bucho.
Esta perspectiva contrapõe-se à visão redutora e minimalista dos que dizem que o bucho é apenas do Sabugal. Essa ideia, que represtina o «orgulhosamente sós», de triste memória, tem-nos castrado as possibilidades de desenvolvimento. Temos que ganhar outra ambição e fazer do Sabugal o centro da difusão gastronómica de uma região abrangente, de vários concelhos, onde o nosso tem papel central.
Isto, que se passa ao nível gastronómico e é implementado pela Confraria, aplica-se a outros sectores de actividade. O Sabugal pode e deve afirmar-se em diversas áreas, nomeadamente atendendo ao seu papel histórico na região. A sua tradição industrial, centrada no Soito e no Sabugal, pode fazê-lo centro a esse nível, e o mesmo se dirá nos aspectos sociais – somos a capital da prestação de cuidados aos mais velhos – e ainda em alguns produtos da nossa agricultura. No sabugal é produzida a melhor carne de vitela da região, a melhor castanha, a quiçá a melhor batata. Temos ademais boas condições para o desenvolvimento turístico com a mais bela aldeia histórica – Sortelha – e as termas mais aprazíveis – o Cró.
Haja ambição e acredite-se no futuro, pondo de parte a visão isolacionista, cuja aplicação à política autárquica tem, infelizmente, atrofiado a nossa terra.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

One Response to O Sabugal como capital regional

  1. Ramiro Manuel Lopes de Matos diz:

    caro Paulo

    Colocas duas questões que são importantes:
    1. A cobertura geográfica da Confraria e do bucho, dito, raiano,
    2. O papel do Sabugal num contexto regional.
    As duas questões, podendo considerar-se ligadas, são, na essência, distintas, o que me leva a ponderar uma abordagem separada das duas, em próximas crónicas.
    mas não deixo, desde a primeira leitura de estar, no geral, de acordo contigo.

    Ramiro

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