Apoiar os circuitos curtos de comercialização

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O concelho do Sabugal reúne condições para que os produtores locais, nomeadamente no ramo agro-alimentar, apostem no chamado «circuito curto» de produção e venda, desde que o Município os ajude a implementarem os seus projectos.

Encomenda de produtos agro-alimentares

Encomenda de produtos agro-alimentares

Fala-se cada vez mais na preservação dos chamados circuitos curtos de comercialização dos produtos agrícolas, como forma de ajudar a desenvolver a produção dos territórios e defender o equilíbrio alimentar dos consumidores.
Chama-se «circuito curto» à comercialização dos produtos directamente do produtor para o consumidor, ou, quando muito, através de um único intermediário. Estamos pois a falar da venda directa na exploração agrícola, que também pode assumir outras modalidades: a venda por correspondência ou pela Internet, através de lojas de produtores, pela entrega ao domicílio, venda aos restaurantes mais próximos ou em feiras, mercados e exposições locais. No fundo, trata-se de uma troca baseada na confiança, evitando ou reduzindo ao mínimo a intervenção de intermediários.
Isto opõe-se ao chamado «circuito longo», que se caracteriza pela venda para grandes e médias superfícies comerciais, a grossistas, revendedores ou exportadores. Neste caso, há um manifesto afastamento entre o produtor e o consumidor – quem compra no hipermercado não conhece quem produziu, nunca viu os terrenos em que os produtos foram criados nem as condições em que foram tratados, colhidos e transportados.
O circuito curto associa-se à proximidade geográfica e relacional entre produtores e consumidores. Nele o consumidor tem acesso a informação sobre a origem do produto, o seu modo de produção e qualidades específicas.
Esta comercialização de proximidade não é nova, porém estão a desenvolver-se actualmente novas dimensões, que contam sobretudo com uma motivação maior por parte de consumidores e produtores.
A possibilidade de comprar produtos locais directamente ao produtor é uma forma de apoiar a economia local, daí a importância de que as forças locais, nomeadamente os Municípios, se envolvam nesse processo.
O Sabugal tem condições para reforçar esse circuito curto na comercialização dos produtos locais. Os produtores podem alargar a venda dos seus produtos aos turistas que visitam a região, bem como aos migrantes originários do concelho. Todos são clientes potenciais e o produtor pode usar as suas próprias relações sociais para apurar melhor a percepção da procura.
A Câmara deve auxiliar o produtor local a avaliar o volume que pode comercializar, realizando um estudo de mercado antes de tomar a decisão de investimento. Também deve instalar estruturas de apoio para a comercialização, ajudar a estabelecer parcerias, a agrupar os produtores, a assegurar a qualidade dos produtos. Neste sentido é essencial apostar na sua certificação, de modo a que os produtos tenham a qualidade garantida que potencia a sua venda. Também é importante ajudar os interessados a definir estratégias comerciais, criando marcas, logotipos, slogans e bordões publicitários.
O concelho do Sabugal tem condições para apostar nos chamados circuitos curtos de comercialização dos produtos locais e a Câmara deve apoiar os interessados em desenvolver este tipo de produção e comercialização.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

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