A obra da diáspora sabugalense

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

A diáspora sabugalense não esquece a terra de origem e continua a lutar pelo seu desenvolvimento, em parceria com os que aqui resistem e permanecem, ainda que estes continuem a ver os filhos procurarem outras latitudes, aumentando o caudal dessa sangria desatada de gente.

6 de Maio de 2009 - os fundadores da Confraria do Bucho, assinada a escritura, almoçam na Casa do Concelho

6 de Maio de 2009 – os fundadores da Confraria do Bucho, assinada a escritura, almoçam na Casa do Concelho

O concelho do Sabugal é terra de migrantes, de gente que, face às dificuldades, arrisca e sai em busca de novas oportunidades.
Mas, há que reconhecê-lo, o migrante sabugalense tem uma peculiaridade: ainda que esteja longe não esquece a aldeia natal e vive na esperança permanente do regresso. Para mitigar a ausência, temporária ou definitiva, o raiano que migrou dedica-se ao convívio com os conterrâneos e defende as boas causas da sua terra.
Foi isso que os sabugalenses que se fixaram em Lisboa pensaram e colocaram em acto ao fundarem, em 1975, a Casa do Concelho do Sabugal, instituição agregadora dos que estavam longe da sua terra. A Casa é uma associação que proporciona a amizade entre os sabugalenses da diáspora, ao mesmo tempo que divulga e promove o desenvolvimento do Sabugal. O maior evento, que se mantém no calendário anual, é a organização da capeia, levando a tradição raiana à capital e fazendo dela um encontro de convivialidade e de divulgação das nossas terras.
Em 2007, sabugalenses de outra geração provaram que o apego às origens se mantém, lançando-se na aventura agregadora da criação da Confraria do Bucho Raiano. Um conjunto de encontros percursores culminaram na escritura da associação em 2009. E a Confraria não está apenas na capital, vem todos os anos ao Sabugal, onde realiza o seu capítulo, chamando a ele inúmeras confrarias de todo o país e divulgando o melhor da tradição raiana: os seus sabores, a música, o teatro…
Atento à importância dessa diáspora viva e activa, o Município do Sabugal lançou em 2015 um programa de aproximação aos que migraram, designado «Sabugal Primus». A ideia foi criar uma rede interactiva de pessoas do concelho ou a ele ligadas que quisessem contribuir para o seu desenvolvimento. Prefigurou-se dinamizar encontros semestrais, realizar um congresso da diáspora, formalizar a criação da rede com órgãos próprios, para valorizar o concelho com o contributo dos que estão longe e não o esquecem.
Executando o programa, a Câmara promoveu três encontros: em Lisboa, Paris e Sabugal. Há que dizer que na cimeira realizada na capital do país não foram chamadas as duas obras da diáspora sabugalense: a Casa do Concelho e a Confraria, que foram deliberadamente ignoradas. Ainda assim, os encontros foram um primeiro e importante passo para a aproximação do Sabugal às suas comunidades espalhadas pelo mundo.
Porém, a rede Sabugal Primus morreu moura, esquecida, apagada, sem qualquer avanço para além dos ditos encontros. Foi uma chama que se ergueu e logo sufocou.
Ora o Sabugal tem que aproveitar a força dos que saíram e que todos os dias pensam na sua terra. Todos, os que ficaram e os que abalaram, podem e devem ser chamados a contribuir para o desenvolvimento do Sabugal.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

One Response to A obra da diáspora sabugalense

  1. Silvestre Rito diz:

    Um dos grandes problemas do concelho é que por vezes parece que os que estão longe se interessam mais pelo concelho e querem fazer mais por ele, sem contrapartidas , do que muitos que vivem no concelho e têm responsabilidades directas perante os cidadãos .
    Já aconteceu comigo e com certeza com outros a mesma coisa, que foi ter-me oferecido para tentar junto de amigos bem colocados impulsionar determinadas decisões que beneficiariam o concelho, e o resultado foi ser simplesmente ignorado.
    Também me parece que no refente a trabalhos e fornecimentos de serviços e outros, deveria ser dada prioridade a gente do concelho ainda que aí não resida, desde que em circunstâncias de oferta de iguais ou melhores condições; não é isso que tenho visto, ou seja passa-se á margem.
    É caso para dizer o que o CR7 disse uma vez ao Prof. Queirós no mundial da África do Sul., ou seja:- ” Ó mister assim não vamos lá”!!!

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