Casteleiro – Expressões populares

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Uma das coisas que mais me divertiram sempre na minha aldeia foram as maneiras populares de dizer as coisas. Lembro-me de em miúdo andar a perguntar sempre o significado das expressões que ouvia. Hoje trago-lhe meia dúzia para se divertir também.

Casteleiro

Casteleiro

Apenas algumas linhas, pois não quero estragar a cada um o prazer de descobrir o que cada expressão significa.
Para cada uma delas costumo escrever uma frases para as explicar.
Hoje não: vou fazer um teste de capacidade de entendermos o nosso povo, as pessoas com quem nos criámos. Cada um de nós, no Casteleiro, deve ter ouvido isto milhares de vezes. Basta agora recordar cada uma destas maneiras de falar e descobrirmos ou lembrarmos o que queriam as pessoas dizer quando as usavam.
Vamos lá?

Expressões populares
Estas são 21 frases ou modos de falar. Apenas isso:
– Aquilo é uma tchecória
– Tás cá c’ma gosma
– Aquilo é um gosma
– Aquilo é um babanca
– Ah, malandro. Ah, candauga
– Esse? Esse é um colhana
– É um tchoninhas
– Aquilo é uma tchoca
– É um bacalhau sueco.
– És uma boa tchafesga das grelhas
– É uma «badagoneira»
– Aquela é cá um mostrunço
– Manhusco!
– Aquele anda sempre com macacadas
– Aquilo é um cepo
– Estás um bom agoniado
– Saíste-me um bom amigo da onça
– Hoje dormi que nem um prego
– Aquilo é que é um águia…
– É um pato
– Caiu que nem um patinho

Agora algo bem mauzinho para as terras vizinhas:
Sortelha só tem barrocos;
A Moita, casarões;
Casteleiro, lindas moças;
Vale de Lobo, paspalhões.

Na altura em que publiquei isto pela primeira vez, fiquei com problemas e até acrescentei:
«Que perdoem os meus amigos destas terras, mas isto era mesmo assim: no Casteleiro diziam-se estes versinhos de brincar às rivalidades regionais».

Sabedoria popular e Festas da Páscoa
Mas nem só de má língua vivia a sabedoria popular daqueles tempos…
Veja o que segue.
A semana que passou foi a Semana dos Ramos. Esta é a Semana Santa, a Semana Maior.
A sabedoria popular rezava assim:
«Na Semana dos Ramos,
Lava os teus panos.
Ma Semana Maior,
Ou choverá ou fará Sol».
A nossa amiga Dulce Martins, descreve muito bem num texto de há três anos os cenários destes dias do ano: «Há muitos anos era um dia solene. Segundo consta da história da Igreja, Cristo morreu pelas três da tarde. (…) As casas quase todas com soalho de madeira, cheiravam a sabão azul e branco. (…) No sábado, era o dia da alegria».
Leia mais aqui.
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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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