Casteleiro – Com o mundo na palma da minha mão

José Carlos Mendes - A Minha Aldeia - © Capeia Arraiana

Quem não teve o seu mundo na palma da mão quando tinha seis ou sete anos? Eu tive. Nem concebia mais mundo fora dali nem mais realidades fora das minhas. Tudo isso nos marca: somos pela vida fora boa parte do que fomos nessas idades de ouro, de inocência e leveza…

Casteleiro

Casteleiro

Lugar às saudades. Lugar à nostalgia. Lugar à revivência de passados felizes, completos, bonitos.
Lugar à recordação de lugares sentimentalmente ligados a anos de inocência e de completo sossego.
Coisa boa de recordar. Sem tristezas: apenas com toda a tranquilidade e com toda a satisfação.
Vá comigo nesta viagenzinha pelos tempos desses tempos.

Homenagem à casa onde nasci
Aqui dei os primeiros passos. Aqui aprendi a ler antes da escola. Aqui aprendi a conduzir sozinho. Aqui vivi os convívios da infância e da juventude, com os pequenos e com os grandes, com a família e com os amigos, com os vizinhos e com todos, a começar pela minha mãe rija como o aço, a t’ Mari d’ Céu, e o meu pai, o t’ Zé Pedro.
Fica aqui esta homenagem singela, mas mais e mais sentida quanto mais tudo isso fica no fundo dos meus tempos…
Ali em frente era a casa dos meus avós paternos, o ti Jaquim Pedro e a ti Pat’cina. Ao lado deles, a Sra. Beatrizinha e o Sr. Zé Carlos. No meio, a Sra. Pilarzinha e o Sr. Antoninho. Logo ali mais abaixo o ti António Catana e a ti Laurinda…
Na aldeia, tudo fica perto.
A ti Delfina morava ali em baixo ao pé do Terreiro da Fonte. Mais uns 200 metros, já na Rua Direita, antes do pio pequenino que ali havia uns 100 metros antes da Carreirinha, aí moravam os meus avós maternos.
A caminho da escola e da escola para casa.
Não se esqueçam de que a escola dos rapazes era ali no Terreiro, atrás da Capela de São Francisco.
Eram estes os meus circuitos. A aldeia na palma da minha mão.
E depois admiram-se por eu gostar tanto daqueles tempos e daquelas paredes mal tratadas das casas mal reabilitadas…

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O Caramelo e o Marneto
Ia-se sempre para os tchões. Ir ao Caramelo, que era do meu avô Jaquim Catana, era sempre uma alegria. Dali, claro, ia-se com o ti Àgusto até ao Marneto.
Por lá havia de quase tudo: couves, tematas, batatas, figos.

A Várzea e Gralhais
Por vezes, íamos ter com o Jaquim Àgusto à Varzea. Ou com o ti Antonho Jaquim até Gralhais. Eram tardes inteiras, pois as distâncias já eram maiores e não dava para andar por ali a brincar de casa para a Várzea e menos ainda para Gralhais, quinta grande que nunca soube onde começava nem onde acabava.

Cantargalo era muito agradável
Andar por ali no meio do milho ou a tocar a vaca na nora ou então deitadinho à beira do poço… que delícia.
Isso era sempre com o ti Tó, com o ti Zé, mas sobretudo com o meu padrinho (avô materno) Luis Gòveia e às vezes com a minha madrinha, a ti Perfecação.

As Cruzes e a Estrada
O ti Antonho Jaquim tratava as Cruzes. Não era possível passar por ali (ainda hoje me acontece isso) sem pensar neles todos: o Zé Luis, o Jaquim Àgusto e a Prima Piedade (que, apesar de ser minha madrinha de casamento, nunca deixou de ser a Prima Piedade, claro). E a mãe deles, a ti Mari de Jasus. Ela era a a mãe daquele «clã» importante na «tribo» que era a família como eu a via.

Com que ternura recordo tudo e todos!
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«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

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