Apostar no turismo diferenciado

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Não tendo o concelho do Sabugal condições para um turismo de massas, deve procurar tirar partido do chamado turismo diferenciado, aproveitando o que é distinto e só aqui se pode encontrar.

Painel de azulejos relativo ao milagre das rosas no Sabugal

Painel de azulejos relativo ao milagre das rosas no Sabugal

O concelho do Sabugal tem uma identidade própria, pela sua história, tradições, gastronomia, paisagem e monumentos. É aí, nessa diferenciação, que se podem encontrar as maiores potencialidades para o filão turístico, pois a nossa terra merece ser descoberta pelos portugueses e pelos estrangeiros que saem de casa em demanda.
Não temos condições, e a região em que nos inserimos também não, para o turismo massificado que existe em parte do país, nomeadamente em zonas balneares do litoral. Mesmo a atractividade da Serra da Estrela em certas épocas do ano, nunca facultará uma procura suficientemente forte para um turismo possante.
Temos que oferecer um turismo diferente, sempre que possível original, e muitas vezes complementar. É isso que nos deve orientar para uma estratégia que afirme a nossa terra pelo que ela tem de distintivo.
A capeia, enquanto tradição única, é uma oportunidade para proporcionar visitas aos que, no Verão, querem vivenciar experiências diferenciadoras, envolvendo-se na nossa emoção, na festa e na convivialidade.
O bucho raiano e os sabores associados à matança catapultam-nos para o aproveitamento de uma gastronomia diferente, recheada de fortes e agradáveis sabores.
Damos mais dois exemplos – o aproveitamento de momentos históricos e de lendas:

Batalha do Sabugal
Ocorrida em 3 de Abril de 1811, ocasião em que as tropas napoleónicas aqui foram derrotas pelo exército anglo-luso comandado por Wellington.
Programe-se no fim-de-semana próximo a essa data uma caminhada até ao local do combate – no Gravato – seguida de uma recriação histórica do que foi a evolução das tropas, acabando em convívio, eventualmente complementado por colóquios sobre o evento histórico, festivais de música, exibição de filmes e documentários sobre o tema.

Milagre das Rosas
Trata-se de uma das grandes lendas populares da história de Portugal e, há muito quem o defenda, deu-se defronte ao Castelo do Sabugal, quando a rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, saía para distribuir pães aos pobres. Surpreendida pelo soberano, este inquiriu-a sobre o que levava no regaço. A rainha exclamou: «São rosas, Senhor!». Mas ele desconfiou: «Rosas, no Inverno?”. E a rainha abriu o regaço mostrando que nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.
Hoje há junto ao castelo um painel em azulejo reproduzindo um desenho de José Chapeira alusivo ao momento histórico. Ora aí está o local ideal para a recriação periódica do milagre por actores do teatro amador Guardiões da Lua, da Quarta-Feira, que depois, vestidos à época, conduzem os visitantes pelos demais locais históricos do Sabugal contando-lhes as curiosidades que lhe estão associadas.
Mãos à obra, no aproveitamento do turismo diferenciado que a nossa terra pode oferecer.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com

One Response to Apostar no turismo diferenciado

  1. joaoafonso diz:

    Há mais de 20 anos que falo para se investir no turismo rural, todo o Concelho de Sabugal e Penamacor têm um enorme potencial para turismo rural, belas paisagens, saborosa gastronomia, gente boa e acolhedora, praias fluviais, barragens, bons queijos e enchidos, perto de Salamanca, Almeida, Serra da estrela, Guarda, Foz Côa etc

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