Fundão – o colóquio das Jornadas Escutistas

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Numa das longas viagens com o Eng.º António José Alçada, recordámos com saudade o Café Literário Escutista na Covilhã, em que foram debatidas ideias muito interessantes e diversificadas sobre o atual Movimento do Escutismo, em que se ouviram diferentes opiniões de antigos e atuais Escuteiros da (FNA) Fraternidade Nuno Alvares e do (CNE) Corpo Nacional de Escutas.

O escutismo está vivo

O escutismo está vivo

Nasceu espontaneamente a ideia de alargar este debate a uma plateia mais vasta, com a iniciativa de promover umas Jornadas Escutistas da Beira Interior. Além de uma proposta inédita, o Fundão oferecia boas condições para se realizar a fim de promover a imagem da FNA, cujo Núcleo estava a dar as primeiras caminhadas. Ideias e sugestões começaram a surgir em catadupa e convidados não faltavam. Acima de tudo, era importante colocar em debate pessoas com diferentes opiniões e projetos do que é o Escutismo. Uma das ideias chave dessas Jornadas seria o papel da Igreja no seio do Movimento, e talvez não fosse descabido convidar alguém, que tivesse uma visão diferente das atuais diretrizes, que têm sido implementadas, tanto na FNA como no CNE. Iriam acrescentar-se mais temas para discussão e analise. As conversas já iam longas, mas os consensos eram restritos.
Da discussão nasce a luz e rapidamente se acordou que temas como a proteção civil, o ambiente, o voluntariado do escutismo e a inserção dos deficientes, o pensamento de Baden Powell, o futuro do Escutismo na Região da Guarda, face ao despovoamento e empobrecimento do Interior do País, deveriam fazer parte do painel. Na contribuição destas temáticas contava-se com antigos escuteiros, alguns com funções governativas, que com a sua experiência, dariam um bom e grande contributo ao debate destas Jornadas.
Num aspeto ambos estavam de acordo, as Jornadas Escutistas da Beira Interior tinham de terminar com um amplo debate livre e participativo, moderado por um responsável autárquico e pelos Presidentes dos Núcleos da FNA da Diocese da Guarda.
O projeto foi amadurecendo e ocasionalmente por diversas vias ia-se acrescentando mais ideias e intervenientes convidados. Efetivamente, conclui-se mesmo que o CNE não poderia ficar alheio a este grande projeto. No entanto, sentia-se algum receio de que estas Associações Escutistas pudessem convergir facilmente numa atividade conjunta, em face da pouca aproximação entre as estruturas a vários níveis. O debate interior de como abordar o CNE foi difícil, com o receio de que as portas não se abrissem e a mensagem escutista do passado, não passasse para os jovens, ou seja para o futuro. Contatados diversos antigos dirigentes do CNE, a fim de dar uma opinião, todos foram de uma grande recetividade e sugeriram que a organização deste evento deveria ter a participação ativa e preponderante daquele Movimento Escutista.
Decidiu-se que o andamento do projeto deveria então transitar para a Direção do Núcleo do Fundão, e da Covilhã, envolvendo-se igualmente o Município Fundanense. A Camara do Fundão no imediato abriu as portas para esta concretização, disponibilizando os meios municipais para acolher a organização e participantes.
Da parte da FNA houve igualmente grande recetividade, desde início, manifestando a concordância na ideia de promover esta iniciativa. Porem o painel de convidados apresentado, deveria de ser planeado conjuntamente com o CNE, antes de ser tomada uma decisão final e apresentada formalmente ao Município. Com os esforços dos Presidentes dos Núcleos do Fundão, da Covilhã e mais tarde do Teixoso, conseguiu-se com sucesso envolver o CNE Regional, tornando desta forma as Jornadas inicialmente pensadas, num Colóquio Escutista no Fundão e com projeção nacional. Assim, o CNE, a FNA e a Camara Municipal, em diligências efetuadas conseguiram trazer a esta cidade as mais significativas individualidades escutistas nacionais, bem como o Secretário de Estado da Educação (dirigente da região de Setúbal) e o Sr. Bispo da Diocese da Guarda.
Findo este cenário explicativo decorreu com muito brilhantismo o Colóquio, ou Jornadas Escutistas, com as intervenções matinais do Secretário Estado da Educação, Presidente da Camara Municipal do Fundão, Chefe Nacional do CNE, Presidente Nacional da FNA e Assistente Nacional do CNE e Diretor do Departamento Nacional do Ambiente da FNA.
Da parte da tarde, numa intervenção rápida do Bispo da Guarda, salientou dois acontecimentos, o percurso da imagem de Nossa Senhora de Fátima que neste ano do Centenário das Aparições vai percorrer todos os Núcleos da FNA, sob o lema, “ CAMINHADA COM MARIA – ESCUTEIROS ADULTOS”, e o segundo acontecimento, a preparação de um Sínodo sobre a juventude, os jovens, a fé e o desenvolvimento vocacional. Apelou desta forma para a colaboração destas duas associações escutistas, que na realidade a nível regional, está sem dúvida a concretizar-se.
Também apelou para que na Serra da Estrela, nos fins-de-semana, existisse um serviço de apoio aos visitantes, e não um simples posto de turismo. A sua ideia assenta num projeto educativo de Baden Powell transmitindo e levando mensagens de esperança e de fé aos turistas, para além de aspetos relevantes da beleza natural deste espaço serrano.
Terminou com chave de ouro o Padre Virgílio Mendes Ardérius, que deu a conhecer os muitos e diversificados conhecimentos escutistas a nível internacional, nacional e regional, as vivências no Movimento durante muitos anos, a que ninguém ficou indiferente e muito aplaudido.
Apesar do muito brilhantismo, o Primeiro Colóquio Escutista da Região da Guarda, realizado no Fundão, com intervenções memoráveis, e bem moderado pela Vereadora Alcina Cerdeira, ficará como um marco da História do Escutismo Católico em Portugal, juntando com sucesso e ao mais alto nível as duas associações irmãs.
Para terminar só não se entende o motivo da diferença entre a palavra “Jornadas” e “Colóquio”. Mas essa questão talvez seja o motivo do próximo debate!
Boa caça!
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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