Poldras, Pontões e Pontes (4)

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

:: :: A Ponte de FERRO :: :: – Pelo menos entre a Guarda e Vilar Formoso todos sabem e muitos conhecem a Ponte de Ferro. O que alguns desconhecem é que esta ponte afinal é de Alvenaria de Granito e por isso pedra. De qualquer modo é uma obra de arte imponente.

 Vista parcial da ponte ferroviária sobre o Côa – (Ponte de ferro)


Vista parcial da ponte ferroviária sobre o Côa – (Ponte de ferro)

A ponte ferroviária sobre o rio Côa e cuja imagem acima se apresenta é uma das que, sendo construídas em alvenaria de pedra de granito, apresenta uma imagem imponente fruto do vale que transpõe, onde corre nas suas profundezas escavadas pelo tempo, o Rio Côa.
Esta ponte foi construída para possibilitar o atravessamento do Côa pela linha ferroviária da Beira Alta. A actual ponte que foi construída na década de 40 do século XX substituiu outra ponte que no mesmo local tinha sido edificada aquando da construção da linha da Beira Alta.
A ponte anterior, executada em ferro, foi projectada pela casa Eiffel em 1882, data em que se iniciou a construção da linha da Beira Alta. Era uma ponte com 4 pilares metálicos e assentes em sapatas de alvenaria de pedra. O tabuleiro, também ele metálico tinha uma extensão de 207 metros tendo uma altura máxima de 47 metros.
Era uma obra de arquitectura do ferro e por isso, igualmente imponente face ao vale que vencia. A verdadeira ponte de ferro, teve uma vida não muito longa, cerca de 50 anos, e admito que a sua construção tenha tido como razão fundamental a necessidade de rapidamente construir uma ponte. Naturalmente que construí-la de ferro (que estava na moda) era mais rápido do que de pedra, pois podiam ser preparados os diferentes elementos em vários locais ao mesmo tempo e depois disso, ali apenas se montava a ponte.
A montante desta ponte foi construída outra, a que actualmente lá se encontra, desta vez totalmente feita com material abundante nas redondezas, o granito. A preparação dos blocos de granito por métodos maioritariamente manuais, certamente que obrigou a despender alguns anos até a ponte ter o aspecto que agora tem. O granito base para diferentes blocos, veio de uma pedreira das redondezas, no Rochoso.
A razão principal para a escolha daquela pedreira, parece ter estado na cor do granito e na sua uniformidade. É que, qualquer ponte, para além de ser uma estrutura que permite transpor um vale neste caso, também é uma obra de arte e por isso a cor e características do material, para além da dureza, são muito importantes.
As sapatas e a amarração da anterior ponte ainda hoje passados estes anos todos são visíveis, imediatamente ao lado da actual ponte, do lado nascente, e por isso para jusante.
Nas redondezas, a primitiva ponte, a de ferro foi na verdade tão importante ou mais do que a que se lhe seguiu – a actual. Todos nós sempre ouvimos os nossos pais referirem-se à ponte actual – apesar de terem conhecido a anterior – como sendo a ponte de ferro.
Ainda hoje as pessoas das terras próximas a conhecem por esse nome de FERRO, embora todos saibam, porque podem vê-la, que afinal é de pedra.
Aliás esta ponte é pródiga em ditos. Também é conhecida, pelo menos na minha zona como sendo a ponte dos sete arcos. Só que, se virmos bem ela tem oito. Explicação para isso, não encontrei, mas certamente que existe.

Aspecto da anterior Ponte de Ferro

Aspecto da anterior Ponte de Ferro

Ponte acabada de construir vendo-se por trás a de ferro

Ponte acabada de construir vendo-se por trás a de ferro

Ponte actual à direita e os restos da antiga à esquerda

Ponte actual à direita e os restos da antiga à esquerda

Esta ponte a ponte ferroviária do Côa, foi objecto de parte de uma tese de mestrado na universidade do Porto em que se analisa a dinâmica desta infra-estrutura ferroviária tão importante na nossa zona.
A tese completa está disponível (aqui) sendo o mestrando autor o Engº. Civil Gabriel Esteves Afonso. Algumas das imagens também foram retiradas desse documento académico.
O local onde esta ponte está implantada não é de acesso fácil. A ponte apenas foi construída para lá passar o comboio e por isso, qualquer outra valência não foi considerada na sua construção, nem mesmo a pedonal.
Mesmo hoje, quando está em fase de concretização a modernização desta linha, através dos fundos comunitários do programa 2020 certamente que a travessia por esta ponte, vai reduzir as hipóteses, por exemplo, de duplicar a linha, pois o seu perfil transversal é de 4,8 metros.
Embora de acesso difícil, e apenas pedonal, a partir das aldeias circundantes é sempre possível encontrar um caminho que nos leve até à ponte de “Ferro”. Mas não espere facilidades quem pretender deslocar-se até lá. Por outro lado, a paisagem que vão ver, certamente que compensa todo o cansaço que o caminho vai provocar.
As coordenadas da ponte encontram-se (aqui) apenas para orientação genérica.
Por último, um pequeno alerta, para precaver impulsos mais intensos: Não tentem atravessar a ponte a pé, pois embora os comboios não sejam frequentes, podem aparecer, e por outro lado, a ponte não foi feita com o objectivo de permitir o atravessamento de pessoas, a não ser de comboio.
De comboio, apanhando-o por exemplo na Cerdeira no sentido de Vilar Formoso, vão deliciar-se com a paisagem não só do vale do Noémi, mas também da ponte do Engenho (ferroviária) e a seguir da dos Sete Arcos ou Ponte de Ferro.
Boas imagens e boas viagens por estas terras que apesar de nossas, pois foi cá que nascemos, queremos partilhá-las com os leitores.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

One Response to Poldras, Pontões e Pontes (4)

  1. FGomes diz:

    Boa Noite,
    Antes de chegar à Cerdeira do Côa, via linha ferroviária, existe uma outra ponte, essa sim de ferro.
    Quando li o título do artigo, pensei que se estivesse a referir a essa, pois também é conhecida como a “Ponte de Ferro”. Não tem é o tamanho da que refere aqui.

    o local encontra-se indicado aqui https://goo.gl/BYPq4V

    Cumprimentos

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