Caminhos do esquecimento

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Por estes caminhos desertos e solitários no meio de sombras enigmáticas de luz e cor, paira algo dramático, algo fantasmagórico dum filme lunar ou o paraíso dos mortos-vivos fruto de paradoxos humanos.

Espaço imenso onde se torna difícil determinar as linhas e ponto de fuga

Espaço imenso onde se torna difícil determinar as linhas e ponto de fuga

Perdido no meio de espaços ermos vigiados por frondosas árvores, guardiãs de jardins de palácios abandonados como mais um fantasma entre fantasmas.
Que interessa se o campo é belo, verde amarelo ou branco se não se divisarem silhuetas humanas e o vento não trouxer os rumores do seu labor, então a beleza vira a desencanto.
Que importa se é homem, mulher, idoso ou criança se é bela ou sem graça, se dentro dela mora a vida que tem a imensidão que a tudo alcança.
Como náufrago no mar de verdura com altas vagas procelosas que se espraiam na linha azul do horizonte.
Caminho por entre a solidão, neste espaço fantástico, onde se funde o real e o virtual onde a luz e as sombras são ausências conscientes sem medo de perder o mundo porque verdadeiro.
Votado a uma espécie de ultramontanismo físico que não espiritual porque não há obstáculos que nos vençam.
Onde o ilusório se sobrepõe ao real a vastidão do virtual ganha foros de verdade, tal como o espaço de horizontes imenso, onde se torna difícil determinar as linhas e ponto de fuga com seus declives e relevos. Como uma vida de venturas e desventuras de sortes e infortúnios que não poupa a ninguém nem mesmo a própria natureza.
Como o homem que vai caminhando cegamente por sendeiros como veleiro contra o vento que o conduzirão à sua autodestruição, enquanto os timoneiros se guiarem pelos os interesses duns poucos em busca da ilusão como fim único. Descobrirão no fim da vida que o dinheiro já não lhes serve de nada e então como acto de contrição destinam algum em prol da sociedade que espoliaram.
Neste mundo que é um gigantesco hipermercado onde tudo se compra e se vende, nós estamos na última fila das vendas e nada atractivos, somos idosos, pouco produtivos, incultos, pobres, poucos, sem competências, distantes maus desportistas porque fracos, magros, ou gordos, somos peças sem interesse ,nada atractivos. Por isso ninguém nos compra, mas vêm roubar-nos os ventos produtivos.
Solidão por solidão entre este mar de verdura de horizontes ilimitados e vazios do labor e de seres humanos ou o mundo ruidoso purulento de poluído, de entranhas congestionadas de carros e casario como favos de abelhas enclausurados em seus aposentos, opto pela liberdade física e espiritual.
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«Vivências a cor», de Alcínio

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