Utentes do Lar em romagem à Senhora da Póvoa

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CASTELEIRO :: :: O domingo que antecede o dia do Corpo de Deus é aquele que o calendário religioso reserva à Senhora da Póvoa. Nem o ritmo acelerado dos dias de hoje, contrastando com o esvaziamento das populações vizinhas, condicionam a devoção de quem ali se desloca neste dia de todas as graças.

Lar do Casteleiro - Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana

A Senhora da Póvoa continua a fazer parte da memória coletiva do povo do Casteleiro

Os primeiros raios de sol que espreitavam por de trás da imponente e vigorosa, Serra D’Opa, eram por si um pronúncio de um bonito dia de Primavera.
O movimento anormal de automóveis, na estrada que atravessa a aldeia do Casteleiro, deixava perplexo o banco, ainda desabitado, da paragem do autocarro que por ali passa em direção ao Sabugal, mas que neste dia era ponto de encontro para todos os romeiros que se dirigiam ao Vale da Senhora da Póvoa.
De uma forma ritmada e quase constante, grupos de jovens e menos jovens teimavam em manter viva a tradição de se deslocarem a pé até à romaria mais esperada do ano. Pena é que já não seja possível ver os carros de bois e carroças engalanados e ouvir os tradicionais cânticos dirigidos à Senhora da Póvoa: «Nossa Senhora da Póvoa/Quem te varreu o terreiro/ Foi o rancho do Casteleiro/Com um raminho de loureiro…», «Nossa Senhora da Póvoa/Já cá vamos ao cabeço/É o rancho do Casteleiro/Que queremos rezar o terço«…
Quem não ficou indiferente a esta «agitação festiva» foram os utentes do Lar e Centro de Dia do Casteleiro que, na véspera já não conseguiam conter as estórias de outros tempos: os cantares, as merendas da festa, o percurso a pé recheado de malandrices, as promessas, a devoção muitas vezes levada ao extremo…
E foi com este espírito, que os utentes com alguma mobilidade, acompanhados pelas zelosas funcionárias (Diretora Técnica, Sara Rodrigues e Enfermeira Carla Clara) e pelo Presidente da Direção Jaime Rodrigues, logo pela manhã, ocuparam os seus lugares nas carrinhas que os levariam até ao local da festa, mais concretamente até ao espaço previamente reservado aos utentes do Lar do casteleiro.
De regresso, apesar do cansaço, a satisfação era visível e a vontade de voltar para o ano era enorme: «enquanto formos vivos temos que ir todos os anos ver a Nossa Senhora!», «desde garoto quer nunca faltei a esta festa… só quando fui operado à perna!», «Nossa Senhora tem-me ajudado muito… se não fosse Ela (entretanto benze-se) já cá não estava!…»
É com esta enérgica vontade de voltar que nos despedimos até para o ano.
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«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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