Lloret del Mar… o bicho papão

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Férias da Páscoa são também sinónimo de viagens de finalistas. Sobretudo para Lloret del Mar. Nunca fui. Não fiz a minha viagem de finalistas. Não me arrependo porque na altura não me teria divertido. Não foi quase ninguém da minha turma (a turma B sempre foi a dos pobrezinhos) e eu era cheia de princípios e muito crítica em relação a tudo. Não é que hoje não o seja mas levo a vida de maneira menos rígida. Com a maturidade de hoje teria ido. Nem que fosse pra conhecer uma Lloret diurna que ninguém valoriza.

Lloret del Mar - Espanha - Capeia Arraiana

Lloret del Mar – Espanha

Considero que devemos fazer (quase) tudo em prol da nossa felicidade. E experimentar. Arriscar. Saber onde fica a linha que separa aquilo que queremos ser e aquilo que não nos identifica.
Não sei se atualmente se aplica mas estou certa de que para muitos alunos das aldeias a viagem de finalistas é a primeira oportunidade de sair do mini mundo a que, geralmente, a mentalidade rural dos nossos pais e avós nos votou. Já para não falar que não há controlo nenhum e é o «regabofe».
Bem sei que é uma chatice para os pais mas… é a vida. É o primeiro ato de liberdade. Aquele choque de realidade. Afinal em setembro é tempo de ser caloiro. A viagem de finalistas é um pequeno teste. Para todos. No entanto, caros finalistas, não deixem de pensar um pouco nas recomendações dos que já sabem mais da vida, por mais óbvias que pareçam. Não se esqueçam dos colegas/amigos nos bares e discotecas. Atenção às varandas. É aborrecido ouvir mas há coisas que não acontecem só aos outros. E há telejornais todos os dias, todos os anos. E o Correio da Manhã quando sai é pra todos.
Posto isto, desejo uma boa viagem. Tentem ser felizes e não apenas bêbados. Tentem falar e não «apenas» ser falados. Abram os olhos ao mundo e não passem as manhãs e as tardes a dormir e de ressaca. Descubram o bom que é ver para além do que nos é familiar e do que muitas vezes nos é imposto pela pobreza terrena. E pela outra.
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«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

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