Uma vez intimidei alguém mas não era árbitro

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Uma vez intimidei alguém mas não era árbitro. Nem pai dele. Uma vez fiz o que hoje se chama bullying com uma miúda lá da escola. Eu era mais velha, tinha a mania que era parva, e a juntar a isso a minha vítima tinha ar de menina do papá. O que se pode chamar de a perfeita «totózinha». E era mesmo. Chamavam-lhe Sissi e o pai dela tinha cavalos. Foi há muitos anos e não sei que é feito dela. Sei que uma vez a «farruscámos» toda num magusto da escola. Eu e o meu gang rufia. Com maldade e prepotência. É uma coisa que hoje em dia me envergonha e que um dia vou tentar ao máximo que os meus filhos não façam. Devia ter uns 12 anos.

Jorge Ferreira

Árbitro Jorge Ferreira da Associação de Futebol de Braga(Foto: ASF, A Bola)

Uma rápida introdução para chegar ao seguinte ponto: que rai é isto de andar a intimidar as famílias dos árbitros? Temos todos 12 anos? Somos todos rufias? Que culpa tem um pai da profissão que o filho escolheu? E se tivesse… quem não erra?! Quem não se engana? Todos, evidentemente. E se uns se enganam mais que outros, azar! É a vida. Ou é o futebol! E se se enganarem a troca de coisas, isso é com eles e o seu discernimento. Além disso está ainda em causa o bom nome de um clube de nível europeu. Sim, porque sabemos que os adeptos dos rivais estão ávidos deste tipo de situação para falar mal.
Se as pessoas têm odiozinhos para espalhar porque não escrevem posts no Facebook e dão o nome e a cara de forma clara e como homens valentes que com certeza se reclamam? Ou então vão gritar com a equipa para o estádio e depois de sair acabou-se a necessidade primata que todos vamos tendo e que o futebol tão bem nos ajuda a resolver. Acaba-se o jogo e a fome animalesca terá de estar saciada também.
Que bonito que era se um dia algum líder de claque viesse a ter uma cria que fosse juíz numa partida de futebol. Ou em várias. Às vezes a vida é irónica. Tão irónica quanto as respostas que podemos dar a negar uma óbvia intimidação. E não, não sou de nenhum clube de Carnide.
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«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

One Response to Uma vez intimidei alguém mas não era árbitro

  1. barreiros diz:

    MUITO BEM LETICIA nao sei se os portistas ficarao contentes

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