Instituições de solidariedade. E não só!

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Com mais de duas dezenas de instituições de solidariedade social implementadas no nosso concelho, acrescendo a mais algumas dezenas de associações culturais, desportivas e outras, o Sabugal apresenta um quadro muito díspar da sociedade civil formalizada. Num tempo em que o Estado falhou e que os governos locais adormeceram, valeu a sociedade civil ter assumido a si a responsabilidade da redistribuição do bem-estar. Perante as ausências de uns que nos valha a presença de outros!

Solidariedade Social - César Cruz - Capeia Arraiana

Solidariedade Social

Perante um estado social fraco deparamo-nos com uma sociedade providente forte. Embora o estado português demonstre fragilidades na provisão do Bem-estar social e na forma como efetua a redistribuição, a sociedade portuguesa tem vindo a encontrar caminhos compensatórios. Muito se deve à ajuda informal da boa vizinhança ou familiar. Contudo, face ao despovoamento, à intensificação da crise social e à fragilização do estado Social, é a sociedade formal a melhor que tem dado resposta aos problemas sociais. Com séculos de existência, as muitas instituições que têm a solidariedade por objetivo, têm sido um marco profundo e importante para o país e, mais concretamente, para o concelho do Sabugal. Não podemos negar o evidente. Com mais de meio milhar de trabalhadores, o sector social e solidário ocupa o principal meio de captação privado de emprego e de desenvolvimento económico e social do concelho. O associativismo desportivo, cultural e de desenvolvimento local é expressão da dinâmica das nossas gentes locais que encontra na ação social e solidária a sua manifestação exponencial, contribuindo para a implementação da economia social solidária como fator de desenvolvimento local
Com um vasto leque de instituições sociais de solidariedade temos de ter presente o peso da sua história, o papel da sua intervenção e a proximidade às pessoas. O concelho do Sabugal possui importantíssimas instituições seculares que por vezes vivendo na sombra têm cumprido um papel maior do que lhes é exigido, de modo responder aos problemas concretos dos que aqui residem.
Representando 2,8 por cento do Valor Acrescentado Bruto nacional, a economia social totaliza 5,5 por cento do emprego remunerado em Portugal. É evidente que no concelho do Sabugal esta representação ainda é mais representativa. Isto deve-se, por um lado, à profunda ação das instituições que gravitam na economia social e, por outro, à falta de capacidade governativa, nacional e local em implementar políticas de desenvolvimento. Negar, menosprezar ou não dar destaque à ação destas organizações é assumir um desconhecimento e uma falta de verdade para com a história deste nosso concelho. Se o passado nos trouxe até aqui, reserva-nos esperar pelo futuro. As instituições de solidariedade asseguram hoje as poucas réstias de esperança sentidas e vividas pelas gentes deste concelho. Vejamos os agregados familiares que elas suportam, quer nos funcionários, quer nos utentes, já não falando no voluntariado das suas direções. Elas são a expressão da nossa sociedade que face às sucessivas inabilidades políticas, têm assumido, elas mesmas, a missão social e solidária.
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«Desassossego», opinião de César Cruz

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