Pínzio – a sua feira centenária

Fernando Capelo - Terras do Jarmelo - © Capeia Arraiana

A freguesia de Pínzio, uma das maiores do concelho de Pinhel, é constituída, para além da sede, por mais quatro localidades: Cheiras, Abadia, Trocheiros e Miragaia. Tem uma área aproximada de vinte e oito mil metros quadrados e tem, presentemente, cerca de quatrocentos e sessenta habitantes.

O Mercado de Pínzio tem lugar no terceiro sábado de cada mês

O Mercado de Pínzio tem lugar no terceiro sábado de cada mês

Possui uma densidade populacional que ronda os 16,6 hab/Km2. Já foi, no entanto, muito mais populosa. Em 1911 teria mil e setenta residentes, reduzidos para mil e quarenta e nove em 1940 e para seiscentos e setenta em 1970.
Constata-se, portanto, uma crescente diminuição da população que decorre de vários fatores de entre os quais se destacam a influência da estrada nacional e a desertificação.
Uma das razões da antiga proeminência de Pínzio resultou da sua localização como local de passagem. É uma freguesia atravessada pela estrada nacional nº 16 que já foi, na segunda metade do século XX, uma das principais ligações de Portugal à Europa. Pínzio situa-se sensivelmente a meio caminho entre Guarda e Vilar Formoso. Atualmente a autoestrada A25, tem um nó viário que dá acesso à freguesia servindo, também, a cidade de Pinhel da qual dista 25 Km. Talvez a estrada nacional a tenha feito crescer mais que a autoestrada visto que esta ultima fez minguar o tráfego na nacional e, consequentemente, provocou um esvaziamento de Pínzio que se tem vindo a acentuar e se afigura imparável. Agora a freguesia vê o progresso passar-lhe ao lado e a alta velocidade. Pínzio enferma, como qualquer localidade do interior, da perigosa doença que se desenvolve na nossa Beira e que dá pelo nome de «interioridade».
Entre a margem direita da Ribeira da Pega e a margem esquerda da Ribeira das Cheiras alinham-se as quatro anexas todas elas muito antigas. No século dezoito tanto as Cheiras como os Trocheiros foram sede de diferentes freguesias tendo, no final do século XIX, ambas sido absorvidas pela freguesia de Pínzio. Criado o concelho do Jarmelo, a freguesia de Pínzio ficou dentro da sua área até à extinção deste em 1853. Passou, nessa altura, a fazer parte do concelho da Guarda até 1895, data em que, por decreto governamental, voltou a integrar o concelho de Pinhel onde se mantém ainda hoje.
Consequência da sua localização e, também, razão de prosperidade foi, certamente, a criação, no início do século XX da feira denominada «Dia Vinte» A edição de dez de julho de 1915 do jornal A Guarda noticiou: «A câmara de Pinhel autorizou um mercado na povoação de Pínzio, no dia 20 de cada mês, o qual tem sido muito concorrido. Pede-se a todas as pessoas que tenham conhecimento deste mercado que não deixem de vir tratar dos seus negócios, onde encontrarão um mercado abundantíssimo e em bom local». Daqui se poderá inferir que a primeira feira em Pínzio terá tido lugar no dia 20 de Julho de 1915. Logo a seguir, na sua edição de 4 de setembro o mesmo Jornal A Guarda informava: «Pínzio – Tem continuado com as maiores esperanças de vida a fazer-se mensalmente o mercado nesta aldeia. O último, sobretudo, foi duma concorrência relativamente grande. Animem-se senhores feirantes!».
Continua o Jornal A Guarda na sua edição de vinte e três de Outubro de 1915: «Estão já construídas as alpendradas no local do mercado, ao qual vem afluindo de mês para mês uma concorrência cada vez mais numerosa. Felicitamos por isso os empreendedores deste mercado que representa um notável melhoramento público não só para esta aldeia mas para as limítrofes, pois que finalmente podem acorrer a fazer as suas transações, em virtude das duas estradas que ligam Pínzio com as cidades do distrito.» Daqui se concluirá a importância da feira desde o seu início.
Em vinte de junho de mil novecentos e oitenta e sete o mercado que muitos insistem em chamar «DIA 20», deixaria de se realizar no dia vinte de cada mês para passar a ter lugar no terceiro sábado de cada mês tentando, assim, adaptar-se a condicionalismos de vida mais modernos. A feira de Pínzio continua hoje de boa saúde e a ser uma referência numa zona que extravasa o concelho sendo caso para citar, de novo, o jornal A Guarda na sua edição de 4 de setembro de 1915: «animem-se senhores feirantes!».
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«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

4 Responses to Pínzio – a sua feira centenária

  1. JFernandes diz:

    Caro amigo:

    A feira “dia vinte” pode ocorrer em qualquer dia do mês. O importante para todos é que ela ocorra. E se, como parece, a sua pujança tem vindo a aumentar, então é altura para dizer “animem-se senhores feirantes”. No terceiro sábado vão a Pínzio, depois de terem ido no segundo à Miuzela.
    Um abraço.

  2. fernando capelo diz:

    Amigo José Fernandes
    Parabéns pelo seu entusiasmo contagiante sempre que se fala das “nossas” terras.
    Um grande abraço meu amigo.

  3. manuel gonçalves diz:

    Em que dia é a feira no mês de Outubro?

  4. Fernando capelo diz:

    Foi no passado Sábado. Peço desculpa mas não dei conta da sua dúvida a tempo. A feira mensal é sempre no terceiro sábado.
    Cumprimentos

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