Luta de gerações – um início ou um fim?

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Cada vez que são publicados estudos atualizados sobre desigualdades sociais em Portugal, o cenário apresenta-se mais sombrio. O certo é que, segundo dados empíricos, se não fossem as transferências sociais, metade dos portugueses apresentavam-se em situação de risco de pobreza. Esta «luta de gerações» será um início ou um fim?

Pobreza em Portugal - Público - Capeia Arraiana

Pobreza em Portugal

Não vou apresentar aqui os estudos. Pois haverá sempre quem (des)diga que no tempo de Salazar estávamos pior. Já não sei o que é pior, se a antiga senhora, se esta senhora bem vestida, a chamada neoliberal. Na verdade, julgo que sejam irmãs gémeas. Um pouco diferentes, mas bastante iguais. Não interessa realmente o passado distante. Vamos ao passado recente. Vivemos pior do que há cinco anos. Temos índices de desigualdade social cada vez piores. Os pobres mais pobres. Os ricos mais ricos e, para eles, ainda bem que estamos assim mais distantes. Dar poder aos pobres é uma ilusão. Mas se eles soubessem usar o seu poder, o que seria dos mais ricos? Já não sei se esta teoria é de esquerda ou social. O que sei é que vivemos cada vez mais numa sociedade egoísta, mais fechada em si mesma. Os mais jovens, cada vez mais pobres e excluídos! Os mais velhos, apesar de tudo, mais seguros do que nunca. Oxalá não ocorra por aí uma luta geracional onde a designada autossustentabilidade da segurança social assuma protagonismo. O emprego estável, para toda a vida, é garantia para uma função pública privilegiada, enquanto que os mais novos, esses malandros e incompetentes, não têm espaço e muito menos capacidade de ocupar tamanhos cargos de responsabilidade… Queira Deus e os deuses que os pobres e os jovens não se levantem de seus catres. Mas de tanto lhes dizerem que têm de pagar o facto que viverem acima do seu limite, acreditaram… Um pobre e um jovem licenciado vive acima das suas reais possibilidades? Quem contraiu a dívida? Quem pediu empréstimos? Peçam ao rico o que é do rico e ao pobre o que é do pobre. Talvez vejam que o pobre, por o ser, nada tem de seu, nem nada tem do que não é seu.
Passaram anos a dizerem na televisão que a dívida tem de se pagar. É uma vez mais a propaganda política a funcionar. Que a paguem quem a contraiu. Neste momento tenho dó das famílias que por «só» ganharem uns míseros cinco mil euros, afirmam que têm de hipotecar a casa para mandar o filho estudar na universidade. Por favor! Tenham dó… Neste nosso Portugal presente e futuro, infelizmente, só chamarão doutor a quem tem poder e dinheiro, sendo que o que tem o diploma, será só e apenas um simples desempregado…
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«Desassossego», opinião de César Cruz

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