Acorda!

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Vivemos num período de imensa desigualdade de oportunidades, de rendimento, de nível de vida, de emprego. A pobreza afeta acima de tudo as gerações mais novas, que se encontram ainda mais desprotegidas do que a geração da idade da reforma. E adormecemos? É hora de acordar!

É tempo de acordar

É tempo de acordar

Estaremos adormecidos? Estes tempos fazem-me lembrar as histórias da nossa infância. Alguém que trinca uma maçã e adormece em profundo sono, privado de sonhos. Ao longo de vários anos também nos deram a comer dessas maçãs. Devorámos maçãs lindas e apetitosas. Se não eram viçosas, tal pareciam, pois assim as venderam. Não adormecemos logo. Fomos adormecendo. Fizeram adormecer pais e mães. Os avós já dormem há algum tempo. As crianças nem irão saber o que é estar acordado. É estrondoso como a prepotência e o despotismo gera, nos que são governados, um sentimento de comiseração e de absentismo social. Se nos dizem que é assim que tem de ser, primeiro negamos mas depois acabamos por aceitar. Por fim são empunhadas umas bandeiras coloridas que tapam a negridão de anos difíceis. Saem à rua aos milhares, em voz de protesto, mas o adormecimento entorpece a vontade de lutar pelo que é nosso de direito. Hoje luta-se mais por aquilo que alguns defendem do que se defende o que a muitos pertence.
Aumentaram-se as desigualdades sociais. Aumentaram-se as desigualdades de oportunidade. Cada vez mais, nascer-se pobre é sinónimo de incapacidade de aceder a melhores condições de vida. Há quem diga que temos melhores condições. Não temos evidência empírica disso. Vivemos pior do que nunca em situações materiais de vida. Assim apontam os indicadores sociais. Fala-se muito em políticas de inclusão mas a verdade é que a separação da sociedade em castas beneficia os intocáveis deste nosso país. Os ricos cada vez são mais ricos. Os instruídos cada vez mais instruídos. E os pobres cada vez mais! E mais esquecidos. O Estado Providência foi mais atacado do que nunca. Não é uma dádiva do Estado nem de um benemérito qualquer. É uma garantia que se tem por direito próprio. E é assim. As bandeiras esvoaçam pelas nossas praças.
Por aí circula muito sangue azul. Que não gosta de ser misturado com o da gente vil e profana. Por aí há quem professe superioridade. Vivemos afinal num país onde poucos têm demasiado e muitos têm pouco. Não há culpados? Então acorda de novo. Acorda por ti e não esperes pelo príncipe encantado.
:: ::
«Desassossego», opinião de César Cruz

2 Responses to Acorda!

  1. António Emídio diz:

    César :

    Vivemos na era dourada da – Igualdade de Oportunidades !!!!! – Assim o diz o sistema , portanto não nos podemos queixar…

    António Emídio

  2. Silvestre Rito diz:

    Muito do que aqui é dito é verdade mas há coisas com as quais eu não estou de acordo.
    Ninguém de bom senso ,julgo eu contesta que se dê ás pessoas as melhores condições de vida nomeadamente ao nível da educação, saúde , justiça e outras, no entanto não nos podemos esquecer que para dar é preciso ter e se dermos , pedindo emprestado vamos ter que pagar!
    Isto foi o que ocorreu ou seja gastou-se em sucessivos governos o que não tínhamos, para chegar a uma situação de empenhamento tal que só um grande empréstimo nos safou. É verdade que nos últimos anos andámos para trás e que temos a maioria estado a sofrer na pele esses sacrifícios, mas pergunto eu qual a alternativa? quem a tem que a apresente, e eu não vejo quem tenha, porque de estar a contar com o ovo no rabo da galinha não é garantido e com muitos” ses “, mais tarde ou mais cedo caímos em situação difícil.
    Comparar apesar de todo o mau estar que se vive a situação que se vive hoje com a de há décadas atrás julgo que não tem comparação senão vejamos:- a saúde não está muito melhor que há 20 ou 30 anos? com a educação não se passa a mesma coisa a nível de oportunidades? julgo que sim , a única diferença é que se estuda menos e o ensino no global é pior.
    Fizéram – se foi autoestradas a mais -3 de Lisboa ao Porto; a A23 dá muito geito para irmos lá acima mas se têm introduzido apenas uma faixa de ultrapassagem no IP2 ìamos na mesma em boas condições e não pagávamos portagens caríssimas.
    A situação mundial é completamente diferente do que era há 10 anos para não ir mais longe e temos que ter isso na mente porque não vivemos sozinhos no mundo e o tempo não volta para trás.
    Exijamos por isso a quem nos governa que os fracos recursos que temos sejam bem utilizados e que não haja desperdício, pois nada me choca mais a mim e a muita gente fazer sacrifícios para pagar impostos e ver depois gente no poder a esbanjar dinheiro que não lhes custou a ganhar senão a sua atitude seria mais responsável- é aliás o que se passa nos países nórdicos porque aí não gastam á rico como os nossos aqui muitas vezes fazem; julgam que por exemplo na Dinamarca fazem análises clínicas ou adquirem medicamentos com a mesma facilidade que nós? desenganem-se porque não é assim!
    Em suma empenhemo-nos e exijamos rigor nos gastos e não embarquemos em falsas ilusões porque repito para dar é preciso ter , não chega dizer que temos direito porque mesmo que isso seja verdade não há milagres!

Deixar uma resposta