Lisboa de vielas e avenidas

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Mais um poema e uma pintura de Alcínio Vicente, ambos evocando a cidade de Lisboa, de cais, vielas, ruas e avenidas, de sacadas floridas e gente apressada.

Rossio - pintura de Alcínio Vicente

Rossio – pintura de Alcínio Vicente

De amores de perdição pelo Tejo enamorado
Com ele adormeces ao canto do fado que à noite se espalha pela cidade
Acordas banhada na suave espuma com os gritos das gaivotas
no coração das tuas igrejas e catedrais ecoam cânticos e preces
Nas escadinhas, elevadores e miradouros das colinas
Em teus cais de gente apressada
Nas janelas e sacadas floridas, jazem agora pétalas murchas de cravos desmaiados
E nos portais e arcadas das casas e monumentos moram sombras de abandono
Na saudade e mágoa do fado, na solidão, no eco nostálgico da história
No silêncio das sombras dos teus bairros antigos
No bulício das tuas avenidas
Vais agonizando despojada das tuas coroas de glória
Os teus trajos festivos substituídos por prontos a vestir universais.
Em teu seio despertei um dia da letargia dum passado ignoto
Para uma vida palpitante e expectante de incertezas
Reencarnei como ser como entidade consciente
Escuta-me bela Lisboa de rosto rutilante e esplendoroso
É como desagravo e gratidão que te segredo que moras no meu coração
És fonte do meu imaginário que corporiza o meu mundo real,
E fantástico que constitui o suporte ou tela
Por onde a minha alma respira, transpira e vive
E o sol que aquece o meu ser
A simbiose entre a dualidade do mundo telúrico, dos horizontes infinitos
E as raízes urbanas que alimentam o espírito sequioso do conhecimento
Consubstanciado nos livros e no cosmopolitismo do saber
Lisboa não é um simples fado, poema ou tela de artista
Mas alma ou farol e padrão referência dos portugueses que ajudaram a civilizar o mundo
E por ele morreram e vivem na história no seu passado
Hoje somos uma sociedade sem espiritualidade, vazia, oca, mercantilista, de negócios
sem valores que não sejam dinheiro.
Os tempos mudaram, somos colónias de outros povos
Um país vendido aos retalhos sem consideração pela sua história e
Cultura, ao sabor de qualquer vendilhão ou mercenário.

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«Vivências a cor», de Alcínio

2 Responses to Lisboa de vielas e avenidas

  1. António Alves Fernandes diz:

    Parabéns. Gostei.

  2. vitorino diz:

    lindo parabens grande abraco ao grante artista de a. do bispo do amigo vitorino

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