Vazios políticos

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

E o depois das eleições? Para onde avançamos? Afinal em Portugal não existem «Syrizas» nem «Podemos». A falta de ideologia conduz a uma promiscuidade imoral na nossa política. Não se sabe onde ficaram as ideias.

Eleições Legislativas - César Cruz - Capeia Arraiana

Eleições Legislativas

A falta de ideologia conduz a uma promiscuidade imoral na nossa política. Não se sabe onde ficaram as ideias. Talvez dissipadas na mercantilização do nosso espaço económico e social. Se é verdade que o estado nacional deu lugar ao estado cosmopolita, não é menos verdade que a instrumentalização do individualismo se sobrepôs ao interesse coletivo. Os partidos de origem social ficaram-se pelo caminho, perdidos entre a utopia e a realidade. Na Grã-Bretanha, o Partido Trabalhista volta-se para as origens, afastando-se do pensamento da terceira via, ou seja, da unidade ou unificação de um bloco central de interesses. Talvez tenha chegado a hora de esclarecer o que somos, que convicções temos e qual a nossa ideologia dominante. A contrariar este pensamento surge o quadro sombrio de um punhado de partidos que não apresentam muito de novo mas que de muito têm de igual. Há aqueles que transformaram o seu pensamento e há aqueles que, passem os anos que passarem, não mudam. Afinal parece que não é chegada a hora da sociedade civil. Afinal em Portugal não existem «Syrizas» nem «Podemos». Não existem extremos que se atraiam porque o que mais nos atrai é, na verdade, o conformismo e a passividade. Talvez me engane. Ou talvez não. O que é certo é que se antevê uma mudança de paradigmas por essa Europa fora, mas não em Portugal. Uma das características do neoliberalismo é uniformizar o pensamento em torno da fragilização do Estado Providente. Cada um diz que é dono de si mesmo. Com isto cada um demite-se de ter ideologias para abraçar o imediatismo ilusório que o mercado de bem-estar material oferece.
E o depois das eleições? Para onde avançamos? Após as grandes crises mundiais, ocorridas no século passado, sucederam-se alterações de paradigmas do modelo económico. Vieram ditaduras. Surgiram messianismos. Apareceu a extrema-direita. Ruturas sociais. Mas depois desta recente crise económico-financeira o que ira sobejar? Uma crise social. Sem precedentes. Nesta nova modernidade onde o individualismo mercantilizado impera, encontramo-nos no limbo de uma nova sociedade? Nesta transformação social necessitamos de novas politicas sociais. Mas para isso é imperativo concentrar e focalizar o nosso pensamento nas ideias. Não em ideias vazias, mas voltadas para o ser humano em concreto. Para ideias vazias já temos tido partidos políticos vazios o suficiente.
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«Desassossego», opinião de César Cruz

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