Da importância da Capeia Arraiana (3)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Terá a Capeia Arraiana condições para integrar o processo de desenvolvimento do Concelho do Sabugal?

A Capeia está viva e não morrerá tão cedo

A Capeia está viva e não morrerá tão cedo

A resposta a esta pergunta é, no meu entender, clara.
No contexto atual o contributo da Capeia Arraiana, por si só, para o processo de desenvolvimento do Concelho é muito reduzido e, ainda mais, na forma como hoje é realizada.
Mas tal não quer dizer, antes pelo contrário, que, alterado o contexto, o fenómeno Capeia não possa integrar um conjunto de «produtos turísticos que o Concelho do Sabugal» possa oferecer a quem nos visita.
Para isso, torna-se necessário que o Município:
• Elabore o Plano de Desenvolvimento Turístico, aí definindo o papel que se pretende atribuir à Capeia. e
• Lidere o processo de negociação com mordomias, Juntas de Freguesia e outros atores locais, conciliando «festa» popular local com «produto turístico», em torno da definição do próprio conceito de capeia e das suas componentes; da segurança de pessoas e animais; do local de realização; das condições de participação no interior da praça e de acomodação dos espectadores; etc.
O Concelho do Sabugal deve apostar no que o diferencia de outros destinos turísticos, o que passa também pela Capeia.
O encerro, o toiro da prova, a capeia em si e o desencerro são os constituintes fundamentais e identificadores de uma Capeia Arraiana.
Mantê-los é imperativo primeiro, mas tal não significa que não possam ser introduzidas alterações que, não os desvirtuando, os tornem mais atrativos para o visitante.
Mas, introduzam-se as alterações que se introduzirem, deve entender-se que a Capeia é, apenas, um dos elementos de uma oferta turística mais alargada do Concelho e, mesmo, da Beira Interior e da Raia Central.
O problema é que esta oferta turística mais alargada não existe, diga quem disser o contrário.
O problema é que, à falta de uma política clara, global e coerente de afirmação externa do Concelho e de criação de «acontecimentos turísticos» com capacidade de atração de mais visitantes, o que vai havendo, incluindo a Capeia, vai estiolando e secando.
A Capeia enquanto cultura popular raiana está viva e não morrerá tão cedo. Mas não é, nem nunca será, o farol da oferta turística sabugalense…

Ps1. A leitura do Expresso de 5 de Setembro, nomeadamente as suas páginas centrais, deixaram-me intrigado e obrigaram-me a estabelecer contactos com amigos a viver no Sabugal. E isto porque o mapa apresentado e referente ao volume de água nas albufeiras a 31 de Agosto, omitia a albufeira do Sabugal.
Seria que, por qualquer cataclismo, a albufeira tinha desaparecido? Mas como lá está a albufeira da Meimoa, será que descobriram água ali para aqueles lados e já não precisam da nossa água?
Como o mapa foi elaborado com base em informação fornecida pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera e pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, tudo me leva a crer que estas entidades públicas devem confundir Meimoa com Sabugal…

Ps2. Se fosse vivo, teria feito 74 anos no dia 9 deste mês. Um acidente de avião matou-o em 1967 com pouco mais de 26 anos. Nos poucos anos que viveu deixou um legado musical que o torna um dos maiores autores e cantores da soul music. Falo de Otis Redding, um dos meus cantores de referência de sempre.

Ps3. Até amanhã ainda é possível adquirir assinaturas para a temporada lírica do São Carlos, começando a 16 a venda de bilhetes avulso. Ótima oportunidade para ver e ouvir óperas como Madama Butterfly de Puccini, ou Nabucco de Verdi.
:: ::
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

2 Responses to Da importância da Capeia Arraiana (3)

  1. Silvestre Rito diz:

    Sobre a capeia raiana julgo que se deve manter a tradição havendo que afinar/melhorar situações que estão menos bem; um processo não pode ser estático, adaptando-se aos novos tempos, sem desvirtuar o essencial da tradição.
    Sobre o turismo, concordo, embora e tal como já referi noutras ocasiões é muito difícil, só por si o concelho conseguir estabelecer um pólo turístico de relevo; tenho defendido uma associação com outros concelhos vizinhos, em particular Idanha e Almeida, que permita a criação duma rota turística, integrada , englobando a vertente histórica , com visitas a castelos e outros pontos de interesse, e complementada por trilhos de contrabando, com passeios que inclusivé poderiam fazer a ligação a cavalo entre Idanha e Almeida ou vice-versa, passando pelo nosso concelho.
    Há ainda as caminhadas que hoje estão tão em voga e com tendência para expansão!
    Julgo no entanto que a Cãmara M. do Sabugal tem que fazer também o seu papel, tomando a iniciativa e, na medida do possível ,fazer algum investimento em consonância com os eventuais empresários turísticos, de forma a criar infraestruturas de base que criem atractividade e chamem gente ao nosso concelho; tem é que haver inovação e qualidade, porque é nisso que se encontra a mais valia que pode fazer a diferenciação!

  2. Paulo Leitão diz:

    Ramiro,
    Como é bom de ver, face ao que já escrevi sobre a matéria, estou de acordo com a tua análise à questão da importância da Capeia Arraiana para o nosso concelho. Porém, penso que a Capeia, sendo uma tradição que está bem viva e tem a sua própria dinâmica, pode contribuir muito para o nosso desenvolvimento.
    Se é verdade que actualmente não é um produto turístico, pode muito bem vir a sê-lo no futuro, desde que a Câmara saiba encetar, com competência, esse caminho. Antes de mais a Capeia tem de ser vista como uma oportunidade de negócio – ou seja apostar na sua mercantilização – sem pruridos, indo ao fundo da questão, que basicamente passa pela sua promoção e pela criação de condições de segurança para quem vem e quer assistir.
    Claro que tudo isto tem de ser discutido e analisado, e o que a Câmara deve fazer quanto antes, volto a repeti-lo, é convocar o Congresso da Capeia Arraiana.

Deixar uma resposta