Oportunidades

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Há coisas que são únicas. Essas, são a base da criação de oportunidades de desenvolvimento. É dessas que as nossas terras devem tirar partido precisamente por serem únicas.

Festas das Flores de Campo Maior

Festas das Flores de Campo Maior

Terminaram no dia 30 de Agosto as festas do povo de Campo Maior. Desenvolveram-se durante uma semana naquela localidade fronteiriça e, a avaliar pela multidão que diariamente se deslocou àquela localidade, estas festas foram um sucesso. Organizadas por uma comissão desligada das instituições as festas de Campo Maior são algo que só pode acontecer pela mão de todo um povo que através das mãos da população preparam durante um longo período a beleza que apenas a cor e o papel transmitem.
Praticamente todos os habituais residentes participam neste evento que, por força daquela gente já transbordou para o país vizinho. Quem como eu esteve este ano em Campo Maior, só pode sentir-se orgulhoso por verificar que afinal o nosso interior continua a superar dificuldades e a agarrar oportunidades.
Quem circulou em Campo Maior, e teve dificuldade em fazê-lo, para além de poder contemplar todo o trabalho de um povo, que transpôs para a decoração das ruas a beleza das flores de papel, certamente ouviu comentários e conversas numa linguagem que há muito entende e que até aqui foi trazida por quem se deslocou do outro lado duma linha a que nos ensinaram a chamar fronteira.
Como Campo Maior também as nossas terras têm coisas que apenas nelas são genuínas e que por isso 129 - 2devem ser exploradas. Como Campo Maior também nós temos muito perto a tal linha que aqui chamamos raia e que cada vez mais tem de ser o símbolo da união entre os povos de um e outro lado.
Campo Maior é um exemplo para outras terras. Às vezes apenas é preciso estar atento aos sinais e às oportunidades para que se consiga encontrar em cada uma algo de diferente de todas as outras. É dessa diferença que pode ser obtida vantagem relativamente a outras.
Não adianta tentar fazer coisas que outros já fizeram e que provavelmente melhor do que nós fazem. Adianta sim procurar a genuinidade, as coisas únicas, aquelas que apenas nós possuímos. É dessas coisas que as nossas terras têm de tirar partido se quisermos e querermos que elas venham a ser mais desenvolvidas.
Podemos, em jeito de resumo fazer referência a vários eventos de que as nossas terras têm de tirar partido pois só aqui existem com as características que estes têm.
Podemos por exemplo falar das Capeias nas diferentes localidades do concelho do Sabugal que durante os meses de verão provocam, um movimento económico e social intenso.

Recriação da Paixão de Cristo em Vilar Maior

Recriação da Paixão de Cristo em Vilar Maior

129 - 4Podemos falar das características únicas da Paixão de Cristo em Vilar Maior que duplica a população daquela terra durante os dias do acontecimento. Este tem de único o facto de os actores do acontecimento serem residentes na localidade e nas terras vizinhas.

Há também a feira medieval de Castelo Mendo que possuindo características únicas quer em termos do lugar, quer da monumentalidade da própria aldeia, que continua bem conservada e permite uma visão única do vale do Côa . A ideia de reconstituir feiras medievais em locais que não têm qualquer relação com isso, leva a que se apresentem na maior parte das vezes deslocadas. Não é o caso de Castelo Mendo nem, por exemplo, da Sortelha em que as características das respectivas localidades são totalmente adequadas a este tipo de eventos.

129 - 5Por último a recriação anual que é feita em Almeida relativa ao cerco e à tomada da praça no decurso da terceira invasão francesa, em 1810. Estas são algumas das coisas que mais ninguém tem com as características destas. É delas que temos de tirar partido. É do desenvolvimento de actividades à volta delas que podemos vir a tirar proveitos para as nossas terras.

Claro está que muitas outras coisas únicas existem na nossa zona. E provavelmente essas coisas virão um dia, com a nossa intervenção, a tornar-se em verdadeiras fontes de rendimento. No entanto, até lá tirar partido das que já são verdadeiras fontes. Campo Maior foi e é um exemplo a seguir neste domínio. Sigamo-lo.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

jfernandes1952@gmail.com

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