Da importância da Capeia Arraiana (2)

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Terá a Capeia Arraiana condições para integrar o processo de desenvolvimento do Concelho do Sabugal?

A Capeia é um elemento fundamental da identidade sabugalense

A Capeia é um elemento fundamental da identidade sabugalense

A resposta a esta pergunta deve, antes de mais, ser analisada num contexto mais alargado de uma estratégia de afirmação do Concelho do Sabugal enquanto destino turístico.
E a inexistência desta estratégia, cuja elaboração venho defendendo há largos anos (neste blogue desde 2007), limita a capacidade de o Concelho se tornar um destino de visitação, ao mesmo tempo que conduz a um frenesim de atividades e de «festinhas» num desperdiçar inglório de energias e de recursos sem que tal contribua de forma decisiva para o desenvolvimento do Concelho.
Da mesma forma que defendi vigorosamente a elaboração de um Plano Estratégico Concelhio, continuo a defender a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Turístico que defina estratégias, objetivos, planos de ação, públicos-alvo e, sobretudo, crie um clima propício ao envolvimento dos diferentes atores, públicos e privados.
O Concelho do Sabugal não soube até ao momento (e tal decorre também da inexistência do Plano), criar um acontecimento cultural/recreativo de dimensão nacional/ibérica que afirmasse o nome «Sabugal» no panorama dos eventos que se realizam um pouco por todo o País.
Enredados em lógicas «bairristas», perdemo-nos em festas e festarolas que, por muito significado local que possuam, não podem nunca ser um chamariz para o turista nacional, espanhol ou de qualquer outro país.
Do que conheço não existe outro Concelho em Portugal que não tenha um evento cultural/recreativo de nível concelhio, como acontece hoje no nosso Concelho.
Com este cenário, o fenómeno «Capeia», que, sendo um elemento fundamental da identidade sabugalense, é, sobretudo, vivido e sentido na margem esquerda do rio Côa, não pode, por si, substituir-se à inexistência de uma política clara e coerente de afirmação externa do Concelho do Sabugal
Afirmei em 2007 que, no meu entender, uma estratégia de fomento turístico devia assentar em cinco Pólos Prioritários de Desenvolvimento Turístico: (i) Pólo da natureza, explorando os recursos da Serra da Malcata, o rio Coa, etc.; (ii) Pólo histórico, ligando Sortelha à rota dos Castelos e Centros Históricos; (iii) Pólo da Saúde, com centro nas Termas do Cró; (iv) Pólo etnográfico, centrado sobre a capeia arraiana, mas aproveitando o rico espólio etnográfico do concelho; e (v) Pólo de proximidade, aproveitando o efeito de arrastamento do turismo da Serra da Estrela, integrando a rota das aldeias históricas, as romarias vizinhas, etc.
Chamei igualmente a atenção para a necessidade de ter uma oferta locativa de qualidade, quer a nível hoteleiro, quer a nível da restauração.
Permito-me também recuperar algumas das propostas que integravam o Programa Eleitoral da candidatura do PS liderada pelo António Dionísio em 2009 e que apontavam para a realização de eventos com caráter nacional/internacional:
– Realizar o «Festival Arte no Castelo», de periodicidade bienal, tendo como cenário natural os Castelos do Concelho.
– Realizar o Festival da Natureza, de periodicidade bienal.
– Estabelecer uma parceria com os organizadores do Festival «IBERFOLK», para a realização bienal de um Festival Internacional de Música Popular.
– Promover a realização de provas desportivas náuticas nacionais e internacionais na albufeira da barragem do Sabugal, estabelecendo parcerias com entidades e/ou Instituições organizadoras.
Na próxima semana proponho-me evidenciar onde se posiciona a Capeia Arraiana nisto tudo.

Ps1. A vida profissional deu-me alguns conhecimentos de geoestratégia, tendo tido grandes mestres, entre os quais saliento Adriano Moreira.
E já nesse idos anos noventa do século passado aprendi que uma das maiores ameaças á segurança europeia assentava na, mais que previsível, “invasão” da Europa pelos povos do norte de África.
Era claro há dezenas de anos que a alternativa passava por apoiar aqueles países num processo de desenvolvimento económico que não justificasse esse êxodo massivo.
Infelizmente, à cegueira dos governos europeus juntou-se a estupidez dos líderes norte-americanos que ao lume juntaram petróleo, incentivando mudanças políticas que deixaram aqueles povos à mercê do mais forte.
E se alguém tem dúvidas, é melhor pôr as barbas de molho, pois tudo aponta para que os partidos e movimentos mais direitistas e xenófobos ganhem cada vez maior peso na Europa Central.
Juntar extremistas de direita com ideologias radicais islâmicas era, de certeza, o que menos nos interessava, mas temo que é o caminho que se está a tomar.
Nós, portugueses, devemos ser solidários com estes migrantes, embora de forma talvez menos violenta, sabemos o que foi a ida “a salto” para França nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado.

Ps2. A minha colaboração neste blogue teve início há oito anos (6 de Setembro de 2007)!
Durante estes oito anos escrevi sobre o presente e o futuro do Concelho, num exercício de reflexão pessoal que me levou a melhor conhecer a terra que me viu nascer.
Ao Paulo Leitão e ao José Carlos Lages o meu obrigado por continuarem a publicar os escritos que venho produzindo.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

One Response to Da importância da Capeia Arraiana (2)

  1. No dia 11 de setembro às 10h nas Portas Exteriores de Santo António – CEAM, Fortaleza de Almeida, terá lugar a 2ª reunião do Fórum Permanente Turismo Sustentável da Malcata. A participação dos agentes públicos e privados e demais interessados ligados ao setor do turismo nos concelhos de Almeida, Sabugal e Penamacor é essencial para a prossecução dos trabalhos! Contamos com a sua participação!
    https://www.facebook.com/cetsmalcata
    http://cetsmalcata.blogspot.pt/

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