Legislativas a 4 de Outubro

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

E pronto. A data das eleições legislativas está marcada. Será a 4 de Outubro. A escolha da data, creio, não espanta ninguém.

Cavaco Silva anunciou a data para as Legislativas

Cavaco Silva anunciou a data para as Legislativas

Quase todos os partidos apontavam para esta data ou para 27 de Setembro. Pessoalmente, continuo a achar que as eleições deviam ser o mais cedo possível. Era importante, por uma questão de datas e funcionamento político. É que, a partir de Outubro é necessário apresentar o orçamento de estado. Ora, com os prazos estabelecidos, por lei, só deveremos ter um governo a governar em pleno lá para Dezembro. Continuo a pensar, por isso, que as eleições deveriam ser mais cedo. Contudo, também percebo atitude do Presidente da República. O mais tarde, razoavelmente, garante, por um lado, mais tempo a este governo no poder, e sabe-se como os governos resolvem uma série de assuntos (leia-se tachos e panelas) nos últimos dias de governação, por outro, também o manter do “establishment” das coisas garante uma certa práxis deste presidente.
Até aqui, pouco ou nada de novo. O que torna esta comunicação do Presidente da República para anunciar a data das eleições ao país é o discurso. Um discurso que se mostrou (mais um) tendencioso e contra a democracia. Passo a explicar.
Um discurso que tinha como único ponto anunciar a data das eleições legislativas, transformou-se num discurso de cariz político-partidário. Penso que, neste momento o discurso deveria concentrar-se no apelo ao voto dos cidadãos, à participação dos cidadãos na vida política, ao papel pedagógico e informativo dos partidos. Mas não. O discurso centrou-se num apelo ao voto na actual maioria de uma forma velada. Numa espécie de loas ao governo. Dou de barato a sua obsessão por maiorias absolutas, mas não lhe reconheço mandato para as impor. Pois a democracia assenta na liberdade do voto dos eleitores. O Presidente da República deve limitar-se a respeitar a vontade dos eleitores. E são estes que determinam se vai haver maioria ou não. Depois das eleições e em função dos resultados, o Presidente da República deve, então, apelar ao entendimento dos partidos, se for o caso, para se entenderem para um projecto governativo. E ele passa por coligações para formar governo ou por entendimentos parlamentares.
As maiorias, como tanto quer o Presidente da República, não têm sido o melhor para o país e para os cidadãos. Recordo as maiorias de Cavaco, a de Sócrates e a actual…
Assim, mais uma vez, o Presidente da República, perdeu uma oportunidade (mais uma) de se apresentar acima dos partidos e do lado dos cidadãos. Eu diria, do lado da democracia. Mas, vindo de quem vem, já nem espanta!

P.S. Não quero deixar de comentar este diz-que-disse entre Junker. Presidente da Comissão Europeia, e Passos Coelho, sobre o tema da divida grega. Junker diz que foi Passos Coelho que impediu a discussão sobre a divida da Grécia antes das eleições em Portugal. Passos diz que isso é mentira. Nunca saberemos quem mente… No entanto, o Presidente da República, apressou-se a vir dizer que Junker estava errado. E porque o faz? Por patriotismo, defendendo um dos nossos? Não. Ele diz que Junker está errado segundo as informações que ele possui. É aqui que me faz comichão. Se ele não participou nessa reunião, donde lhe vem a informação? Pressuponho que do Primeiro-Ministro, logo suspeitas neste caso. Mas compreensíveis. Se não é do Primeiro-Ministro, será que há um “garganta funda” nessas reuniões?
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«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com8

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