Recuperar os moinhos tradicionais

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Já aqui falámos de outras vezes na importância de recuperar e preservar o património do concelho do Sabugal e do papel crucial que a Câmara Municipal pode ter nesse processo. Desta feita abordaremos a premente necessidade de valorizar os moinhos tradicionais que se encontram junto aos cursos de água em estado de perfeita ruína.

Um moinho em ruínas na Abitureira

Um moinho em ruínas na Abitureira

A foto do moinho da Abitureira que ilustra este artigo, foi «postada» na página do Facebook do grupo dos «Descendentes do Concelho do Sabugal» por Goreti Graça, e ao observá-la, ocorreu-nos a ideia de abordar este tema.
Os moinhos constituem um importante património popular que simboliza o esforço e o labor de gerações com que, aproveitando a força motriz da água, garantiam a sobrevivência, moendo ali o cereal com o qual fabricavam o pão, alimento de todos os dias.
A Câmara Municipal deve usar os instrumentos de planeamento integrado, nomeadamente o Plano Director Municipal, de modo a possibilitar um conjunto de acções ligadas à recuperarão dos moinhos e aos seu aproveitamento em favor da economia do concelho. A recuperação desse património pode beneficiar de investimentos particulares, apoiados por fundos nacionais e comunitários, criando condições objectivas para a reversão do processo de degradação desse património.
Há pois que definir uma estratégia municipal de recuperação do património tradicional, criando condições para um turismo sustentado e de qualidade, que proteja e valorize a paisagem, em contraposição à acção que agride o território.
Para a plena implementação desse projecto é necessário escalonar as acções a desenvolver.
Numa primeira fase é fulcral proceder a um levantamento exaustivo das moagens tradicionais do concelho, registando a sua localização, os proprietários, o estado de conservação e as suas características. O segundo passo é publicar esse estudo e divulgá-lo, nomeadamente junto da população local. Seguidamente, na fase três, importa tirar partido do conhecimento e da sensibilização, promovendo a conservação e a reabilitação dos moinhos e de outro património que lhe esteja associado, como açudes, levadas e instrumentos de moagem. Numa quarta fase, importa apostar em criar condições para o desenvolvimento de um programa de ecoturismo, centrado na temática dos moinhos tradicionais. Por último, numa quinta fase, é necessário ajudar a desenvolver esses produtos de ecoturismo de modo a que contribuam para o desenvolvimento do concelho.
Esta ideia de recuperar o património molinológico não é original. Temos de saber aprender com os outros e, nesta matéria, poderemos fazê-lo com o que realizou o Município de Boticas, no norte de Portugal. Ali foi colocado em acção o projecto integrado «Moinhos e paisagens da Europa», pelo qual se fez um levantamento do património existente (financiado pelo programa europeu Raphael), depois divulgado através do projecto Euromills (com fundos comunitários do programa Cultura 2000) e finalmente a própria recuperação dos moinhos, integrada no programa Operação Norte (financiado com fundos FEDER do Quadro Comunitário de Apoio).
Há pois que meter mãos à obra na recuperação e valorização dos velhos moinhos do concelho.
:: ::
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

6 Responses to Recuperar os moinhos tradicionais

  1. JFernandes diz:

    Caro PLBatista:

    Os moinhos de água, que funcionavam nas margens das ribeiras e rios são na verdade elementos importantíssimos do património cultural do mundo rural.
    Eles permitiram que durante muitos anos o grão se transformasse em farinha que depois era convertida em pão e alimentava as gentes.
    Preservar, proteger, divulgar, estes elementos é um dever dos poderes públicos e particulares.
    Será que os moinhos recuperados não poderiam ser um incentivo para eventuais passeios pelas margens dos rios? Seriam concerteza.
    Preservemos os moinhos pois isso ajudará a preservar e defender os rios.
    Jfernandes

  2. António Alves Fernandes diz:

    Parabéns por este oportuno texto, que espero que aqueles que tem poder politico o leiam.
    Na Bismula, este património está em ruinas, mas alguns recuperáveis. Haja vontade.

  3. João Duarte diz:

    Isto estava no Programa da CDU nas Autárquicas 2013… Quase ninguém ligou.

  4. João Duarte diz:

    Porque as pessoas não votam em Programas (nem os lêem). Votam nos Partidos e, principalmente, nos que arranjam tachos ou empregos… Esta é a verdade

  5. leitaobatista diz:

    Estimados José Fernandes, António Alves Fernandes e João Duarte, obrigado pelos vossos comentários. A recuperação e a preservação do património popular é de facto da maior importância para as nossas terras, pelo que importa colocar em prática um programa que garanta essa recuperação.
    Sei bem, João Duarte, que o programa da CDU o contemplava e que outros disseram em programas eleitorais que valorizariam o património, mas a verdade é que quem detém o poder autárquico ainda pouco ou nada fez para o garantir…
    paulo leitão batista

  6. João Duarte diz:

    “mas a verdade é que quem detém o poder autárquico ainda pouco ou nada fez para o garantir”- isso também é culpa de quem os elegeu… Ou não será?

Deixar uma resposta