A viabilidade das Termas do Cró (3)

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

As Termas do Cró podem contribuir para trazer mais gente ao concelho do Sabugal, podendo ao mesmo tempo beneficiar do efeito atractivo de outras potencialidades. A chave é interagir com a região, trabalhando em rede e tirando partido de projectos de investigação e desenvolvimento.

Termas do Cró

Termas do Cró

Ainda que as termas se situem fora de qualquer perímetro urbano, a verdade é que não estão tão isoladas como parecem. Na verdade, estão inseridas numa região de imensas potencialidades, com as quais poderá reunir sinergias.
Uma das formas é integrar as termas em circuitos turísticos já existentes, como os da Serra da Estrela, das Amendoeiras em Flor ou da Serra de Bejar, em Espanha. Isso significará alargar a oferta aos visitantes da região e beneficiar com esses novos afluxos.
Há que contar com a atractividade da serra de Malcata, assim como do rio Côa, com as suas praias fluviais, a pesca desportiva e as paisagens de encanto que rodeiam esse maravilhoso curso de água.
Para além dos valores da natureza, há ainda o património histórico da região, que inclui castelos, muralhas, solares, pontes, igrejas, pelourinhos. Há também nas proximidades as chamadas Aldeias Históricas, em especial a de Sortelha, igualmente inserida no concelho do Sabugal, mas ainda as de Almeida e Castelo Mendo.
O local preciso em que as termas se encontram, beneficia de uma forte presença da natureza, factor que proporciona actividades lúdicas complementares ao termalismo, substancialmente diferentes das que oferecem outras estâncias nacionais.
É pois necessário tirar partido disso, definindo percursos pedestres e actividades ao ar livre, que proporcionem e incentivem a interacção com o meio envolvente.

Trabalhar em rede
O actual Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT) vê no termalismo uma área-chave a desenvolver no país, enquanto forma de atenuar o desequilíbrio e assimetrias regionais e de aumentar a diversificação da oferta turística nacional.
É nestes termos que a Câmara Municipal deve contribuir para que a estância do Cró tire verdadeiro partido da rede que já integra, designada por Termas Centro, criada pela Associação das Termas de Portugal. À semelhança de outros empreendimentos poderá apostar em programas integrados de bem estar e turismo, de termalismo e gastronomia, de lazer e cultura, de formação e terapêutica, e outras possíveis combinações.

Projectos de investigação e desenvolvimento
Afigurando-se essencial apostar no futuro, poderão criar-se, em parceria com o Município, projectos de Investigação e Desenvolvimento em termos clínicos ou técnicos de produtos associadas à beleza, à saúde e ao bem-estar. Esses componentes inovadores serão essenciais para a afirmação do destino Termas do Cró.
Pode aqui colher-se o exemplo de outras estâncias termais, onde existe um pólo dotado de tecnologias, a que se afectaram técnicos, médicos e investigadores, que actuam em vários eixos: Cosmética, Investigação Clínica e Reabilitação.
Outra via poderá ser a da criação de um centro educativo, capaz de organizar visitas didácticas, nomeadamente orientadas para crianças e jovens estudantes. Informando sobre as propriedades da água termal, possibilitando actividades num laboratório didáctico, informação sobre como se controla a qualidade da água termal e se preparam os produtos cosméticos.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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