A viabilidade das Termas do Cró (2)

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

Para melhorar a atractividade das Termas do Cró, agora equipadas com uma unidade hoteleira de quatro estrelas, é fundamental aproveitar todo o seu potencial, tirando nomeadamente partido da história das antigas Caldas, quando os mais abastados do concelho do Sabugal e das terras limítrofes ali iam a banhos.

O pontão e as ruínas do antigo balneário apalaçado

O pontão e as ruínas do antigo balneário apalaçado

Importa investigar a história do local e descrever o que eram as Termas nos tempos idos, quando os banhistas ali ficavam alojados durante dias consecutivos, usando os serviços da Pensão da Senhora dos Milagres ou as casas de pedra que algumas famílias mais abastadas construíram para esse efeito.
Nessa mesma vertente é imperioso criar um núcleo museológico ligado às antigas termas, aproveitando algum dos edifícios em ruínas. Poderão expor-se fotografias antigas, publicações alusivas e outros documentos históricos, assim como objectos outrora usados nos tratamentos.
As ruínas no antigo balneário apalaçado poderão servir para visitas guiadas à história do local, informando como eram os banhos de outrora nas Caldas do Cró, incluindo no percurso a antiga Pensão da Senhora dos Milagres, o vetusto pontão sobre o ribeiro, a capela, a fonte original e o depósito que abastecia o velho balneário.
Poderá apostar-se ainda na organização de passeios temáticos, baseados na vida das termas nos seus tempos de ouro. Basta para isso reler o etnógrafo Joaquim Manuel Correia e perceber a vida intensa que existia no Cró nas épocas balneares e a forma como os banhistas interagiam e passavam o tempo.
Um projecto a desenvolver é o da recriação do passeio dos banhistas que o autor descreve no livro «Celestina», quando caminharam pela margem do ribeiro do Boi até ao rio Côa, culminando a passeata num momento de hilaridade, com a comitiva feminina sentada num lameiro de onde assistiu a uma pescaria nas águas calmas do açude, seguida de uma saborosíssima merenda.
Para quê recriar ali o tempo dos romanos, como se fez no ano 2013, quando a história das Termas do Cró é tão rica e foi tão intensa nos finais do século XIX?
Recriar ocasionalmente esses tempos idos das velhas termas pode bem ser uma importante actividade complementar aos tratamentos que as termas hoje proporcionam, melhorando a atractividade do local.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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