A transformação social, as estruturas e a agência

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Durante décadas tem-se vindo a questionar sobre o que na realidade provoca a transformação social. Estamos a mudar. E se não estamos, devíamos. As estruturas políticas partidárias encontram-se a definhar e o aparelho administrativo central e local não consegue acompanhar a rápida transformação em que nos encontramos.

Tempo de agir - Capeia Arraiana

Tempo de agir

O desalento e a descrença perante as estruturas sociopolíticas são notórios. O dispositivo que gravita à volta do poder político não considera as pessoas. O tecnocentrismo chega a sobrepor-se à própria política, perdendo esta a verdadeira essência. São os técnicos a comandar e a orientar as políticas sociais. E tudo com a finalidade de conseguir esmifrar ao máximo os dinheiros que hão-de vir de uma Europa velha e sem ideologia. Mas a sociedade transforma-se. E nela não haverá mais lugar para quem evidencia um estático sentido de governar.
Ao mesmo tempo evidencia-se um inquietante silêncio da sociedade civil. Se a sociedade se encontra em mudança, não deveriam os cidadãos, eles próprios, constituir sentidos e oportunidades de mudança? O politicamente correto trouxe-nos até à condição em que nos encontramos. É tempo de agir. A agência (de ação) de novos atores sociais implicará um novo «embodiment» (incorporação) das estruturas que regulam a sociedade. A formalização existente no partidarismo e as vontades existentes na sociedade civil encontrarão novas práticas. Não sabemos se virão com soluções. Mas sabemos que contribuirão com mudanças de paradigmas.
Este sentido de aliança necessário (à falta de uma forte sociedade civil interventiva) entre partidarismo e sociedade civil, pode ser uma solução. Não a única, decerto, mas uma forte solução pragmática e imediata. Quer a nível nacional, quer a nível local! Quem anda na rua e quem contacta as pessoas em concreto sente a necessidade de mudança. Existe um cansaço. Existe um desalento demasiado alto. Existe um afastamento. A altivez de quem olha de cima para baixo será sentenciada pelos que tomarem consciência do seu poder. Já não bastará um favor comprado. Já não bastará a ligação de sangue. Já não bastará uma conversa de café ou um jantar partilhado. Bastará cada um ter consciência de que é necessário mudar. E assim, quem sabe, talvez o agir da sociedade transforme as estruturas fatigadas do desgoverno em que nos encontramos.
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«Desassossego», opinião de César Cruz

One Response to A transformação social, as estruturas e a agência

  1. António Emídio diz:

    Cesar :

    A Sociedade Civil entregou-se politicamente nas mãos dos clássicos partidos políticos portugueses, é mais fácil e cómodo de 4 em 4 anos depositar um voto numa urna, depois os partidos que pensem por ela, por sua vez esses mesmos partidos não permitem que outro venha ocupar o seu lugar, ou retirar-lhe votos. Por isso, é impensável um Podemos ou um Syriza no nosso País.

    António Emidio

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