O Zenite e o Nadir

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Zenite e Nadir: estes dois termos do léxico grego clássico – que significavam, e significam ainda, a primeira o ponto mais alto e a segunda, por contraposição, o mais baixo de todos – mantêm toda a sua acutilante realidade.

O futebol inglês ainda hoje figura entre os melhores

O futebol inglês ainda hoje figura entre os melhores

Hoje, são os altos e baixos do futebol – mundial e doméstico – que nos servem de causa de dissertação.
A Inglaterra, ou mais precisamente o Reino Unido foi a pátria mãe daquele desporto. Diz-se como reacção contra o taylorismo.
Os trabalhadores fabris só usavam as mãos. Urgia inventar algo de contraposto que proibisse o seu uso. E a solução foi o futebol, onde apenas um entre onze as pode usar.
Invenção inglesa, foi com terminologia inglesa que se mundializou. Team, kiper, penalti, off-side, são alguns dos exemplos.
Os países com colónias britânicas mais ou menos numerosas seguiram-lhe o exemplo, que frutificou mundo em fora. Os sports…, os sportings…, ou foot-ball clubs começaram a aparecer um pouco por todas as latitudes e longitudes, mas o futebol inglês manteve longamente a supremacia.
Uma simples selecção militar inglesa, sem jogadores dos grandes colossos londrinos, de Liverpool ou Manchester, ou onze de meros amadores, veio a Portugal vencer – e por onze a zero – um misto português, onde se integraram todos os nossos mais famosos jogadores do tempo – Peiroteu, Azevedo, Valadas…
E, quando qualquer clube de qualquer país do novo ou do velho mundo, se atrevia a defrontar, o Arsenal, o Everton, os Manchesters City ou United, ou mesmo equipas das divisões secundárias, só se perguntava por quantos iriam perder.
Mas, como dizia o Malhadinhas, genial captação de Mestre Aquilino, todas as Babilónias tem os pés de barro: passarão ou ruirão mesmo.
O futebol inglês, todavia, não ruiu e ainda hoje figura entre os melhores. Nos campeonatos do Mundo, já ganhou treze, apenas ultrapassada pelo Brasil com dezanove, a Alemanha com dezoito, a Itália com dezassete, e a Argentina com quinze.
Os seus grandes clubes – Arsenal, Chelsea, Liverpool, Everton, os dois Manchesters – estão entre os melhores do Planeta.
Mas, na presente temporada, não chegaram aos quartos finais da Champions, onde havia três espanhóis – Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid – e dois franceses – Mónaco e Paris Saint Germain, um italiano, a Juventus, vechia signora, um alemão, o Bayern de Munique – e um português, o Porto, que só sucumbiu na segunda mão da prova.
E, no momento em que escrevo – véspera do sorteio das meias-finais, só restam dois espanhóis – Barcelona e Real. Um alemão – o Bayern – e um italiano – a Juventus.
E, mesmo na Liga Europa, os quatro, ainda sobreviventes, são dois italianos – Nápoles e Fiorentina, um espanhol – Sevilha – e, estranhamente, um ucraniano.
E os fenómenos do mundo futebolístico, são o português Ronaldo, o argentino Messi, o brasileiro Neimar e o sueco, de ascendência sérvia Ybraiimovik…
Sic transeunt gloriae Mundi… e, onde tudo passa, como se diz na gíria, de bestial a besta é exactamente no futebol.
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«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

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