E nisto se transformou o 25 de Abril!…

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

O que é a Liberdade e a Democracia quando uma classe de homens pode roubar, explorar e matar á fome a outra? Traíram o 25 de Abril toda uma série de políticos que sempre demonstraram não só uma falta de sensibilidade social e humanismo, mas também uma falta absoluta de ética.

Aproxima-se uma nova campanha eleitoral

Aproxima-se uma nova campanha eleitoral

Novas eleições se aproximam, nota-se já uma certa ansiedade na classe política portuguesa. Durante a campanha eleitoral os candidatos sairão à rua com as suas camisas brancas e gravatas coloridas, símbolos de pureza ética, demonstrando que governarão para todos os portugueses. Nas ruas, nas praças, nos mercados, nos pavilhões, e até nos bares, repetirão até à exaustão as palavras de ordem elaboradas pelos líderes partidários, que serão promessas de felicidade absoluta, e que o maná cairá do Céu pra todos por igual se o partido deles ganhar. Péssimos actores a desempenharem um papel que nem compreendem, riem, gesticulam, cumprimentam as pessoas, e quando estas lhes fazem uma pergunta, ouvem-nas com o mesmo interesse com que o faria uma qualquer estátua de bronze da cidade.
Terminada a campanha eleitoral e conhecidos os vencedores, estes transformam-se por completo, deixam de conhecer o Povo a quem tanto prometeram, entram nos edifícios oficiais, fecham portas e janelas, recebendo então aqueles que verdadeiramente os elegeram sem votarem, e a quem obedecerão: instituições internacionais, banqueiros e grandes empresários, o poder económico. Depois, tudo voltará ao antes das eleições. O Povo verá então pela televisão as festas e banquetes daqueles em quem votou e que já esqueceram as suas extremas necessidades. O Presidente da República virá á televisão agradecendo ao Povo ter cumprido com o seu dever cívico, dizendo-lhe para se manter em silêncio até às próximas eleições, porque nessa altura receberá então novas instruções. E nisto se transformou Abril!

O Sabugal é uma cidade do interior bem longe dos grandes eventos políticos, sociais e culturais, mas também cá chegam pensadores e filósofos como o romeno Emil Cioran que tem esta frase: «Quem nunca conheceu a tentação de ser o primeiro da cidade, não compreenderá nada do que ó o jogo político, do afã de subjugar os outros para os converter em objectos, nunca adivinhará tão pouco os elementos que compõem a arte do desprezo». Isto é a verdade pura, e reza tanto para a direita, para a esquerda ou para o centro. Já lá vão mais de quarente anos, já vi muito! E esse muito que vi fez de mim um rebelde que não aceita as regras do jogo impostas pela ordem estabelecida e que se insubordina contra elas. Sou um homem que diz não! Sou um homem livre! Os meus artigos são escritos longe dos conventículos políticos onde os politicamente correctos fabricam as suas famas artificiais e efémeras. Tenho a noção que vozes como a minha, solitária e independente são pouco estimadas, mas se escrevo não é para engraxar as botas aos poderosos, tanto de direita, como de esquerda como do centro, por isso estou preparado para assumir as consequências. E se já estão fartos de me verem no Capeia Arraiana, falem com os respectivos administradores e mandem expulsar-me, mandem silenciar-me, não era a primeira vez que me acontecia, porque a censura é o poder dos medíocres, e medíocres há-os em todo o lado…
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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

4 Responses to E nisto se transformou o 25 de Abril!…

  1. JFernandes diz:

    Vai ser provavelmente assim, caro AEmidio.
    Mas mesmo sabendo que poderá ser mais ou menos assim, não podemos perder a esperança de que um dia talvez não seja assim.
    E, só não será assim ou pior se as vozes de quem grita continuarem a poder ser ouvidas.
    Também foi para isto que Abril foi feito.
    E, uma das conquistas deste tempo é sem dúvida a liberdade de podermos expressar a nossa opinião, mesmo discordante, sem termos sobre nós consequências repressivas directas.
    Quem quer, vê, ouve e lê já que não pode ignorar. Mas a negativa, neste tempo, também é verdadeira.
    Eu, por mim, continuarei a lê-lo com interesse e prazer.
    Um abraço
    JFernandes

  2. João Duarte diz:

    Nota-se, caro amigo António, que tens tido muitas desilusões. Eu não poderei dizer o mesmo. Nunca me achei desiludido… Mas cada um é como cada qual. Um abraço

  3. leitaobatista diz:

    Caro António Emídio,
    O Capeia Arraiana é, e será sempre, um espaço de liberdade. Aqui cada um expõe o seu ponto de vista e confronta-o com o dos outros, pelo que nos cabe agradecer a tua colaboração e a forma clara e directa como assumes e expões o teu ponto de vista.
    Aqui apenas não há lugar para uma espécie que prolifera: a dos cobardes que se escondem atrás do anonimato ou de um nome fictício.
    Quem quer emitir opinião e deseja confrontar os outros com os seus pontos de vista tem que dar a cara, para que esses outros, querendo, o possam contradizer.
    Um pseudónimo pode servir para assinar um texto poético, uma estória com valor literário, ou até pensamentos e divagações diversas, mas não é aceitável que se use o pseudónimo para emitir opinião política ou outra, com a qual se confrontam pessoas que pensam de maneira diferente.
    O Capeia é pois um espaço de liberdade para quem, como tu, assume o que escreve e não tem medo de expor ideias.
    Paulo Leitão Batista (co-administrador do Capeia Arraiana)

  4. fernando capelo diz:

    Amigo Nabais:
    Qualquer texto teu é a prova de que o teu propósito não é agradar e muito menos engraxar. A verdade é que os teus textos são lidos. Até para não gostar é necessário ler… Haverá certamente quem não goste. Mas há também quem goste, quem respeite e quem concorde. Quanto a atitudes primárias publicas ou privadas, apenas as refiro para te dizer que sim, que sei que existem. Mas também te digo, meu amigo, que elas são tão pequenas como quem as toma. Alguma vez a pequenez fez história? Só não te digo para seguires a tua consciência e a tua vontade porque eu tenho a certeza que tu nunca farás outra coisa.
    Um grande abraço.

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