Sobre eleições

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

Não, não vou, ainda, discorrer sobre as eleições. Mas deixar algumas reflexões que, de forma indirecta, se referem a eleições.

eleicao_padrao

A primeira sobre o «não arrependimento» de Cavaco Silva da não antecipação das eleições legislativas, argumentando com o hábito que os portugueses têm que adquirir «a normalidade» democrática dos países europeus. Seria estranho que este senhor se arrependesse, quando não tem dúvidas e raramente se engana. Contudo, havia e há argumentos plausíveis para que tal tivesse acontecido. Com as eleições marcadas para Setembro/Outubro, só teremos governo lá para Dezembro. O que fará com que o próximo governo só tenha orçamento quando estivermos em eleições presidenciais, lá para Março. Entre haver eleições em Setembro ou em Junho, parece não haver grande diferença, mas, na prática é muito diferente. É esta «normalidade» que me parece anormal. Ou nem tanto. O fazer finca-pé na data das eleições permite a este governo mais uns meses no poder, permitindo-lhe uma série de decisões que já não deveria tomar. A normalidade deveria ser o prevalecer do interesse de Portugal e dos portugueses. Mas, mais uma vez, o principio seguido por este presidente é o de fazer que não vê e o que vê, vê mal. Um presidente claramente alinhado e faccioso.
Fiquei espantado com a declaração do Secretário de Estado dos Transportes, o Sr. Monteiro. Espantado pela conclusão a que chegou, que as greves são políticas. Só agora percebeu isso? Contudo, para além deste «eureka» do Sr. Secretário de Estado, ainda afirmou que «as pessoas não querem saber se as empresas são da esfera pública ou privada». Parece-me uma afirmação presunçosa. As pessoas querem saber sim senhor. Até porque ainda não está provado em absoluto que as empresas privadas prestem melhor e mais barato serviço. Num momento em que se anunciam e decorrem greves no sector dos transportes, este tipo de declaração para o público, mais não é do que uma declaração usando o público para atacar os sindicatos. Não faço aqui nem apologia de um ou de outro. Não conheço as reivindicações dos sindicatos nem os argumentos do governo. Sei é que não quero ser usado como mensageiro, nem admito que me tomem por, digamos, desinteressado. Porque, Sr. Secretário de Estado, aquilo que o senhor quer privatizar ainda pertence a todos. É por isso que as pessoas votam. Mas o senhor não foi a votos… E este é um assunto que me é caro, mas fica para outra altura.
Sobre as eleições presidenciais, chamo a atenção para o silêncio dos partidos. E bem. Primeiro, porque antes há eleições legislativas. E são estas que determinam o poder. E o resultado destas vai influenciar as presidenciais. Segundo, devem, no meu ponto de vista, ser os candidatos individualmente a apresentar-se. Só depois devem os partidos manifestar-se. Portanto, os candidatos que o queiram ser que avancem. Apresentem o seu manifesto. Mas afianço que muitos ficarão à espera do Outono. Andarão pelas sombras, à espera de uma brecha de luz.
:: ::
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com8

Deixar uma resposta