Privatização da saúde

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

Comemorou-se no dia 7 de abril o Dia Mundial da Saúde. Os sistemas privados têm vindo a conhecer, suportados por um estado liberal. A saúde compra-se e não basta ter dinheiro para a comprar. É preciso saber movimentar-se nos bastidores e nos meandros do funcionamento em que o sistema nacional de saúde se encontra.

Privatização da Saúde - Capeia Arraiana

Privatização da Saúde

A propósito da comemoração do Dia Mundial da Saúde, no dia 7 de abril, o INE (Instituto Nacional de Estatística) publicou um estudo sobre a prestação de cuidados de saúde. Sabemos que os hospitais privados, e com finalidade lucrativa, têm vindo a crescer. Tem-se verificado uma tendência para o acréscimo de importância dos hospitais privados relativamente a atendimentos nos serviços de urgência, internamentos, consultas médicas no âmbito da consulta externa e atos complementares de diagnóstico e terapêutica. Na realização de grandes e médias cirurgias, contudo, manteve-se a preponderância dos hospitais oficiais. Quer isto dizer que o privado tem vindo a assumir uma importância vital para o bem-estar populacional portuguesa. Mas quem pode aceder a estes serviços privados? Este acréscimo de importância do privado permite a desigualdade acentuada da população portuguesa. Em vez de possibilitar uma melhor redistribuição no atendimento universal, o nosso pseudo-estado-providência permite a separação entre os que podem e os que não podem ter acesso à saúde.
Subsiste um serviço universal, ao qual muitos deixaram de ter capacidade de acesso, e existem serviços complementares, comparticipados com o dinheiro de todos nós, que permite a alguns terem acesso a regalias no privado e depois, com facilidade, poderem transitar para o serviço público. E não se diga que se faz descontos para esses subsistemas. Que é um direito. Estes não estão abertos a toda a população, ou não se sabe disso? Não é escolha opcional. É uma opção do próprio sistema. O sector público no seu melhor. Um serviço universal de nome mas com duas caras. O que interessa efetivamente na nossa sociedade é saber movimentar-se nos bastidores dos corredores da saúde. Se o serviço de saúde é universal porque é que existem os subsistemas? De certeza que quem pode usufruir destes não irá denegrir a excelência do serviço nacional. Pois bem. Uma experiência. Que tal de em vez de nos socorrermos do privado (comparticipado por um subsistema qualquer), sentarmo-nos numa sala de espera de um hospital público até que o nosso nome conste na ordem de chamada? Sem nos socorrermos à influência do corredor, sem recorrermos à nossa rede de influência que existe em cada telemóvel? A saúde aí não será tão universal. Como diz uma socióloga conhecida, infelizmente quem tem amigos tem saúde. Não pela saúde que dá a amizade mas pelos conhecimentos que os amigos possuem. É a nossa saúde em causa!
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«Desassossego», opinião de César Cruz

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