Novas políticas… Novas arenas

César Cruz - Desassossego - Opinião © Capeia Arraiana

A estratégia dos atores sociais passa pela habilidade em motivar os outros para uma causa pública. Movimentamo-nos para o interesse coletivo ou estaremos a ser sugados para uma causa que, sendo de outros, nos adormece e entorpece os sentidos sociais? É urgente uma nova arena com novos atores e novas políticas! Pior do que errar é nunca ter tentado mudar!

Coliseu de Roma - César Cruz - Capeia Arraiana

Coliseu de Roma

A vida social gira em torno da obtenção de uma ação coletiva. Isso requer que os participantes dessa ação sejam induzidos a cooperar. Algumas vezes, essa cooperação é conseguida através de coerções e de sansões. Por conseguinte, os atores estratégicos hábeis proporcionam identidades e quadros culturais para motivar os outros. Os atores privilegiados podem utilizar as instituições para reproduzir a sua posição e para fundar novas arenas de ação. Vivemos em tempos de novas arenas que mais não são do que um repisar dos palcos principescos de Dante. Os políticos hábeis sabem usar a cooperação dos outros em proveito do seu bem pessoal a que apelidam de público. E as sansões… e as coerções… e o subterfúgio da chantagem? À falta de ideias (pela incapacidade de as gerar) surge a habilidade social de condicionar os outros. Estamos cansados de algumas estruturas sociais que persistem. Todos o dizemos. Mas queremos realmente mudar? Teremos coragem para transformar a ordem social que gravita entre nós? Mudar, transformar… São verbos que têm sido tão impessoais porque nunca tiveram a capacidade de agregar o fundamental… as pessoas, os verdadeiros interessados!
É tempo de novas políticas. É tempo de novas ideias! É tempo, pelo menos, de lutar! É um dado adquirido que os atores sociais podem transformar as estruturas sociais mas na maioria das vezes fracassam ao fazê-lo. Os recursos e as regras estabelecidos tendem a favorecer os grupos maiores e organizados. Mas é tempo das minorias. É tempo de dizer um basta ensurdecedor. É tempo de assumir arenas e palcos. É tempo de reinventarmos um caminho de presente e de futuro, onde os mais jovens têm lugar. É tempo de acabar com as incompetências e com os amadorismos. É tempo de novas arenas. As regras e os recursos estão nas mãos de poucos. Mas, os muitos que somos, não teremos força para dizer a alta e boa voz que é chegada a hora de mudar? Não sei se para melhor. Não sei se ainda haverá tempo. Mas pelo menos tentar. Tentar o que nunca foi feito. Tentar. Pelo menos lutar… Numa arena nova…
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«Desassossego», opinião de César Cruz

2 Responses to Novas políticas… Novas arenas

  1. António Emídio diz:

    César :

    Necessitamos de uma revolução, a revolução das consciências ! O Homem dá a impressão que já destruiu a sua capacidade de sonhar, por isso está transformado num robot bem alimentado, mas a continuar assim morrerá de desnutrição espiritual. Custa-me ver alguns esquerdistas que deveriam lutar por uma sociedade mais justa, mas lutam simplesmente pelo proveito pessoal, quando estão empenhados nessa luta dá a impressão que entram em delírio paranóico, erecção psíquica, e loucura motivada pela ambição do poder e do dinheiro, é só ouvi-los falar… Esta dos esquerdistas não era para aqui chamada, mas eu já estou prestes a explodir ! Desculpe-me César, e desculpe-me também querido leitor (a).

    António Emídio

  2. José Martins diz:

    É tempo de arregaçar as mangas e depois de gritarmos “basta” iniciar a caminhada da mudança. O concelho do Sabugal merece um presente bem melhor e um futuro promissor, onde os jovens se sintam parte do território. Olhem para a aldeia de Malcata e ouçam os gritos dos seus habitantes. É tempo de dizer aos senhores que se têm apresentado com pele de cordeiros que um povo necessita de comer, trabalhar, viver com sossego e tranquilidade e com a viva esperança de ver e sentir as pessoas felizes. Os recursos naturais são um bem comum e não só de alguns. É tempo sim, de pelo menos, lutar.Também não sabemos se vamos ganhar ou se ainda vamos a tempo, mas pelo menos estamos a fazer por isso e vamos continuar a tentar fazer o que nunca foi feito: lutar contra o “sobreequipamento do parque eólico de Penamacor 3B”, em terrenos de Malcata.

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