Parceria entre o «Sol» e a Confraria do Bucho Raiano

Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana (orelha)

O semanário «Sol» e a Confraria do Bucho Raiano têm uma parceria na edição que chegou esta sexta-feira às bancas. Além do destaque ao VI Capítulo da Confraria vai ser possível aos leitores do jornal terem descontos durante o fim-de-semana nos Restaurantes Robalo e Casa da Esquila.

Semanário Sol - 20150213 - Capeia Arraiana

Semanário Sol – 20150213 – Capeia Arraiana

A parceira entre o semanário «Sol» e a Confraria do Bucho Raiano na edição desta sexta-feira, 13 de Fevereiro, vai permitir descontos e atenção especial aos leitores que se apresentem com o jornal nos Restaurantes Robalo no Sabugal e Casa da Esquila no Casteleiro. No semanário pode ser lido um destaque promocional ao Bucho Raiano e à gastronomia das terras sabugalenses.

Confraria do Bucho Raiano – valorização de um produto de excelência

A ementa do bucho
O Bucho constitui a peça mais peculiar do enchido produzido no concelho raiano do Sabugal.
Após a matança e o desmanche do porco, a carne das costelas, cabeça, rabo e orelha, é cortada em pequenos pedaços que são colocados num barranhão, em marinada que contém água, sal, alhos e uma forte porção de pimento (colorau). Remexida várias vezes, a carne aguarda pelo menos três dias no alguidar para entranhamento dos temperos.
A carne é depois introduzida na bexiga do porco, que foi previamente bem lavada e esfregada com casca de laranja.
Após o enchimento, o bucho é dependurado nos varais do fumeiro, onde aguardará, com o demais enchido (chouriças, farinheiras e morcelas), pela secagem, obtida pelo do calor da lareira.
O Entrudo, em especial o Domingo Gordo, é a ocasião propícia para a degustação do bucho, sendo da tradição toda a família se refastelar com a peça.
O bucho confecciona-se introduzindo-o numa larga panela de ferro, envolto em pano de linho, que evitará que rebente durante a cozedura. Mantido em lume brando, o cozimento durará três horas, após o que é retirado, e aberto sobre larga barranha de barro.
A acompanhar o bucho sairão à mesa batatas cozidas e abundância de grelos de nabo também cozidos, cujo marujar servirá de desenfastio.

A acção da Confraria do Bucho Raiano
Dar a conhecer o bucho e a demais gastronomia da região é o grande objectivo da Confraria do Bucho Raiano.
A ideia de criar uma Confraria para defesa e valorização da gastronomia Sabugalense, em especial o bucho, peça de excelência dessa gastronomia, partiu de um grupo de amigos que decidiu organizar um almoço tendo em vista o lançamento do desafio. O repasto realizou-se no dia 17 de Novembro de 2007, na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa, juntando cerca de 80 convivas, num autêntico acto fundador da confraria.
Depois de um caminho de informalidade com a realização de outros almoços de convívio, a Confraria do Bucho Raiano foi finalmente escriturada enquanto associação no dia 6 de Maio de 2009.
Eleitos os seus corpos sociais e efectuada a pronta adesão à Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, realizou-se no dia 17 de Abril de 2010, no Sabugal, o capítulo fundador, apadrinhado pelas ilustres confrarias do Queijo Serra da Estrela e da Chanfana. Sob os acordes da banda filarmónica da Bendada o colorido dos trajes confrádicos espalhou-se pelas ruas com o desfile das confrarias.
Seguiram-se outros capítulos anuais, sempre no sábado de Carnaval, mantendo-se o rigor cerimonial, com a presença de oradores ilustres e com a homenagem sucessiva a personalidades que defendem a raia e a sua gastronomia popular.
O bucho, divulgado pela acção persistente da Confraria, é hoje um produto de referência, com produção assinalável e venda para todo o país e para o estrangeiro, tornando-se num dos ex-libris da zona do Sabugal.
Os almoços de bucho sucederam-se em diversos locais, a confraria representou a região em diversos certames, como exposições, feiras, colóquios e conferências. Passou mesmo a integrar a direcção da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, assumindo-se como uma confraria activa e participativa no movimento nacional de promoção e defesa das ementas tradicionais portuguesas.
Há ainda um longo caminho pela frente, de participação activa em actividades que valorizem o bucho, prestigiando um produto de excelência que pode ser uma das bandeiras de uma região que necessita de se afirmar no panorama nacional.

A história e o património do concelho do Sabugal
O Concelho do Sabugal integra-se na região do Riba Côa, faixa de terreno entre os rios Côa e Águeda, tornada portuguesa por acção do rei D. Dinis, através do Tratado de Alcanizes, assinado em 1297.
O actual concelho do Sabugal, integra o território de cinco antigos concelhos medievais: Sabugal, Alfaiates, Vilar Maior, Vila do Touro e Sortelha, os quais foram agregados por força da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, no Século XIX.
O concelho possui diversos testemunhos arqueológicos da permanência de comunidades humanas em tempos longínquos, muitos deles expostos no Museu Municipal do Sabugal.
Vale a pena visitar as antigas vilas acasteladas que deram origem ao actual município, delas se destacando Sortelha, considerada uma das mais belas Aldeias Históricas de Portugal.
A par dos castelos e muralhas há também um vasto conjunto de testemunhos históricos, como pontes (em especial a ponte de Sequeiros, sobre o rio Côa), igrejas, capelas, conventos (em especial o da Sacaparte em Alfaiates) e pelourinhos.
O Sabugal é também uma terra de fortes tradições, ligadas ao trabalho e ao lazer. Sendo terra chegada a Espanha, o povo viveu do contrabando e depois da emigração, advindo daqui manifestações etnográficas.
A tradição mais peculiar, e única no mundo é a Capeia Arraiana, que consiste numa espécie de tourada popular, em que o touro é desafiado com um grande instrumento de madeira em forma de triângulo, o forcão, ao qual pegam cerca de 30 rapazes.
O verão é o tempo das maiores festividades, quando as aldeias se enchem de gente que regressa às origens vinda das quatro partidas do mundo.
Há também tradições carnavalescas, numa época em que a gastronomia ganha especial importância, pois o bucho, come-se tradicionalmente nessa quadra.
Nos restaurantes podem-se degustar outros sabores típicos da raia, como o cabrito da Malcata assado na brasa (um prato único no país), as trutas do rio Côa, os pratos de caça e os variados e apetitosos enchidos. Nas sobremesas é especial o arroz doce, a aletria e as farófias preparadas à moda da raia.
Confraria do Bucho Raiano

Deixar uma resposta