Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal

Câmara Municipal do Sabugal

Câmara Municipal do Sabugal

Caro amigo António Robalo
Sabe a consideração e o respeito que por si granjeei durante os 4 anos de convívio em que fui presidente da Assembleia Municipal.
Separam-nos as diferentes opções políticas de cada um, mas penso poder dizer que nos une o amor pela nossa terra mãe, mesmo quando não estamos de acordo com a interpretação de quais os caminhos para construir um futuro melhor para o Concelho do Sabugal.
Sei o que faria se algum dia ocupasse o seu lugar, mas isso é, neste momento, completamente indiferente.
Mas tem o sr. Presidente uma responsabilidade acrescida, não só pelo lugar que ocupa, mas, e sobretudo, pelo grito cada vez mais ensurdecedor de cada sabugalense que exige de si e de todos os responsáveis políticos que, no mínimo, lhe indiquem o «caminho das pedras» que lhe possibilitem não se afundarem.
Este é um momento chave para os sabugalenses que necessitam, exigem, que os apoiem na procura de um futuro melhor.
É um momento chave por três razões fundamentais:
1. Se inicia um novo quadro comunitário de apoio, do qual, espero, o Município do Sabugal tenha capacidade para não perder mais esta oportunidade.
2. Este quadro comunitário contem instrumentos poderosos de apoio às pequenas e médias empresas, competindo ao sr. e restante executivo municipal saber encontrar formas de mobilização do tecido empresarial existente, sabendo ao mesmo tempo, atrair novos investidores.
3. O município do Sabugal teve a capacidade para se dotar de um instrumento – o Plano Estratégico -, que define de forma clara por onde e para onde ir.
Sr. Presidente
Pese embora as divergências políticas que, de uma forma definitiva, nos separam, estou convencido, e espero não me enganar, que compreende a urgência de definição de prioridades e opções.
Infelizmente a proposta orçamental que apresentou e foi aprovada, revela uma postura resignada e nada mobilizadora dos sabugalenses, das empresas sediadas no território municipal, bem como dos milhares e milhares de sabugalenses dispersos pelo mundo.
Sei que nem sempre os compromissos, constrangimentos e cumplicidades que somos obrigados a assumir, nos deixam grande margem de liberdade.
Penso saber também que está defrontado com opções pessoais nem sempre as melhores para decisões exigentes.
Mas o Concelho e os sabugalenses esperam de si que tome as decisões que melhor defendam o Sabugal.
Não o fazer agora, é uma opção que cada um saberá interpretar à sua maneira, mas que, não tenho dúvidas, será terrível para o futuro do Concelho do Sabugal.
Com os melhores cumprimentos,
Ramiro Matos

Ps1. A necessidade de escrever estes textos com alguma antecedência não me permitiu manifestar a minha profunda indignação com o que se passou na semana passada em França.
Nunca confundi atos terroristas com o pleno direito dos povos à sua auto determinação e independência, como o regime salazarista nos tentou vender em relação às colónias.
Nem acredito que atos como os que aconteceram em Paris contribuam de algum modo para a afirmação da ideologia que os seus autores dizem defender.
Por isso não posso deixar de repudiar e condenar aquilo que aconteceu.
E nem quero saber das justificações que os seus mandantes trouxeram a público, pois isso é, para mim, secundário.

Ps2. Foi com tristeza que soube da morte da Amélia, mulher lutadora e sempre pronta para ajudar. À família, e em especial ao Manel que tanto tem ajudado a minha mãe, um grande abraço de solidariedade.

Ps3. Conheci uma das melhores vozes do fado, nas palavras de Amália, num dos primeiros restaurantes indianos que houve em Lisboa, o Velha Goa na Estrela, onde Rão Kyao tocava saxofone.
Ouvir hoje «Fado Bailado», gravado em 1983 é perceber como Amália tinha razão…
James Joyce, o escritor irlandês autor de Ulisses, é um dos grandes autores do século XX. O seu primeiro romance, «Retrato do Artista quando Jovem», é de leitura obrigatória.

Ps4. A Quinta dos Termos está localizada nos limites do Concelho, e vem desenvolvendo uma atividade vinícola intensa, de que resultam alguns dos melhores vinhos da Beira Interior.
Não admira assim que José Salvador, reconhecido crítico de vinhos, tenha incluído nos 88 melhores vinhos para 2015, dois dos seus vinhos brancos – Quinta dos Termos Beira Interior Reserva 2011 (5,5€) e Reserva 2014 (4€).
Aos seus proprietários, um abraço de parabéns, com votos de que continuem neste esforço de colocar os vinhos da Beira Interior no lugar a que têm direito.

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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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