E amanhã haverá Natal?

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CASTELEIRO :: :: Passados que foram os dias, mais ou menos eufóricos, que antecederam o Natal, o país mergulhou na realidade angustiante do desemprego, da pobreza, nas intermináveis filas de espera nos hospitais que, tradicionalmente nesta época, respondem às muitas urgências, de quem o frio do Inverno e os cortes na saúde feitos pelo atual governo, faz das horas de cada dia, intermináveis momentos de sofrimento e mau estar.

Sem-Abrigo - Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana

Sem-Abrigo (foto: D.R.)

Para trás ficaram as ilusões que os donos das grandes cadeias comerciais, em parceria com os vários canais televisivos, públicos e privados, se encarregaram de distribuir por todas as famílias sejam elas, ricas ou pobres, empregadas ou em situação de desemprego, felizes ou infelizes.
Nesta época, em que o consumismo fala mais alto, também não falta quem ajude as famílias mais desprotegidas! Organizações diversas, cujo mérito não questiono, multiplicaram cabazes, recheados das várias iguarias próprias da época natalícia, alguns deles a pensar, também, no desconforto das temperaturas negativas que invadem as implacáveis noites de inverno, adicionando vestuário, agasalhos ou mesmo cobertores.
Mas o povo diz e com razão «quem ajuda não pode ajudar sempre, mas quem precisa, precisa sempre»! E agora pergunto eu, como será o amanhã de todos aqueles que continuam a precisar de ajuda?
Certo, certo, é que amanhã, quando o sol nascer, o número de desempregados continuará a aumentar, a eletricidade, a água, os bens alimentares atingirão novos records… e, daremos graças ao governo pelo novo imposto, guardado para janeiro, sobre os combustíveis e os sacos de plástico, a que pomposamente chamaram «verde».
Agora que o Menino Jesus nasceu e o Novo Ano entrou em casa dos portugueses, de uma forma tão desigual, estamos todos mais sossegados! Cumpriu-se assim, este secular ritual, cada vez mais desprovido dos valores da igualdade e que, ano a ano, hipocritamente, fazemos questão de alimentar e manter.
É neste país tão assimétrico que tudo permanece igual: os ricos continuam cada vez mais ricos e os pobres permanecem cada vez mais pobres.
Mas, como se tudo isto não fosse ainda suficiente, este estrábicos governantes que nos assistem ainda nos querem fazer crer que o nosso país está melhor, que o desemprego diminuiu e o número de famílias dependentes das Lojas Sociais também.
Mas… enquanto isto não for verdade e realmente acontecer, continuaremos a dar força às sábias palavras de Ary dos Santos em, «Os Operários do Natal»;
«Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias».

Feliz Ano Novo!
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«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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