Um prelado aristocrata na Diocese da Guarda

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

D. Rodrigo de Moura Teles foi Bispo da Guarda de 1694 até 1703, ano em que foi nomeado Arcebispo de Braga. Pertencia a famílias da alta nobreza. Era filho do segundo conde de Vale dos Reis, capitão general do Algarve, D. Nuno de Mendonça e da condessa D. Luísa de Castro e Moura. Foi o segundo filho na linha masculina e herdou o brasão dos Moura, sua família materna. Foi um homem de cultura e acção, competente e dedicado no desempenho de todos os cargos que lhe foram atribuídos, tanto civis como religiosos.

D. Rodrigo Moura Teles - Bispo da Guarda (1690-1703) e Arcebispo de Braga (1704-1728)

D. Rodrigo Moura Teles – Bispo da Guarda (1690-1703) e Arcebispo de Braga (1704-1728)

D. Rodrigo nasceu em 1644. Estudou em Coimbra e doutorou-se em Direito Canónico. Desempenhou inúmeros cargos na corte, foi tesoureiro-mor e Cónego da Sé de Évora e Deputado da Mesa da Consciência e Ordens. No ano de 1679 foi encarregado de resgatar os cativos de Mequinez, tarefa que encarou como uma missão e da qual se desempenhou com toda a competência e num curto espaço de tempo.
No ano de 1690 foi eleito Reitor da Universidade de Coimbra, tendo recusado a Mitra de Lamego para continuar no cargo de Reitor.
Segundo informações de Fortunato de Almeida na sua História da Igreja em Portugal, foi nomeado Bispo da Guarda em 1694, cargo que aceitou, tendo sido confirmado a 21 de Junho desse mesmo ano. A tomada de posse aconteceu a 25 de Agosto e a sagração foi em Lisboa no dia 14 de Novembro.
Deu entrada na Diocese no ano seguinte, no mês de Junho, tendo iniciado de imediato a visita pastoral às freguesias.
Enquanto Bispo da Guarda teve a grata satisfação de assistir à trasladação do corpo da Rainha Santa Isabel para o convento de Santa Clara-a-Nova, no dia 3 de Julho de 1696, a quem sempre dedicou piedosa devoção.

Brasão dos Moura - D. Rodrigo Moura Teles - Maria Máxima Vaz - Capeia Arraiana

Brasão dos Moura de D. Rodrigo Moura Teles

Ao longo da sua vida, revelou-se um homem da Igreja no rigoroso cumprimento da disciplina do clero e exigindo o mesmo rigor dos sacerdotes da sua diocese.
Dispensava especial cuidado aos actos de culto, procurando que as celebrações se realizassem com a maior dignidade, tanto dentro dos templos como durante as procissões ou festas campais.
Homem de fé e disciplina, D. Rodrigo de Moura Teles viveu a sua missão de pastor com convicção e influenciou a vivência cristã nas terras onde administrava a vida religiosa.
Além de homem de oração, ficou conhecido como amigo dos pobres e desamparados, tendo preocupações caritativas atestadas na sua forma de encarar soluções e assumir responsabilidades.
A sua luta pela moralidade foi uma das marcas mais significativas da sua acção, a qual consistiu em recolher mulheres prostitutas que desejavam regenerar-se e dando-lhe condições de vida digna.
Apesar da sua pequena estatura, cerca de 1,20 cm, D. Rodrigo sempre se revelou um homem de grandes ideias e forte intervenção.
Reconhecendo as suas comprovadas capacidades e mérito, foi nomeado pelo Papa, Arcebispo de Braga em 1704.
Deixou obras arquitectónicas por toda a arquidiocese, das quais se destaca o Bom Jesus do Monte de que é considerado o refundador. Depois de um período de paragem e abandono das obras, foi ele que tomou a seu cargo a revisão do projecto a que deu mais grandiosidade e garantindo a continuidade da construção, que supervisionou até final e onde gastou mais de sessenta mil cruzados.
D. Rodrigo de Moura Teles faleceu a 4 de Setembro de 1728, com 84 anos de idade e é considerado um dos mais notáveis prelados da arquidiocese de Braga.
Deu provas de grande humildade durante a vida e até na morte, deixando expressa a vontade de ter um funeral simples, sem pompas ou grandes exéquias.
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«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

7 Responses to Um prelado aristocrata na Diocese da Guarda

  1. Dulce Helena Pires Borges diz:

    Doutora Maria de Fátima Vaz

    Interessante artigo sobre este Prelado Egitaniense. Gostaria de saber onde estão localizados o brasão e o edifício com que ilustra o seu texto.
    Grata.

    Dulce Helena

  2. Maria Máxima Vaz diz:

    Dulce Helena

    Este prelado foi dono de uma quinta em Odivelas, que herdou da família e deixou a uma sua irmã. O edifício em ruínas era das casas dessa quinta e o brasão está sobre o portal de entrada.
    As casas foram reconstruídas e são agora os Paços do Concelho de Odivelas.

  3. Dulce Helena diz:

    Doutora Máxima

    Obrigada pela informação. Confirma-me que este bispo nasceu em Vale de Reis, Alcácer do Sal? e já agora a reprodução do retrato foi extraída de onde?
    Desde já grata pela atenção.

  4. Maria Máxima Vaz diz:

    Sim, nasceu onde diz.

    O retrato foi digitalizado de um livro meu, “A História da Igreja em Portuglal”, da autoria de Fortunato de Almeida. O artigo é uma breve síntese do muito que se pode dizer deste activo e notável Prelado e muito mais da sua família.

  5. Maria Máxima Vaz diz:

    O meu conhecimento sobre este Prelado resultou de uma pesquisa sobre a Quinta da Memória em Odivelas em 1986 e o primeiro passo para o conhecimento partiu do brasão, no qual nunca ninguém daqui tinha reparado. A família “Mendonça Furtado” pertence à mais alta nobreza. D. Rodrigo de Moura Teles é um elo dessa história. Uma nota que gostarão de saber : A Irmã Maria Clara do Menino Jesus, que foi beatificada pelo Papa no dia 21 de Maio de 2011 e cujo nome de baptismo é : Libânea do Carmo Galvão Mexia de Moura Teles, é descendente em linha directa de uma irmã de D. Rodrigo de Moura Teles, a quem ele deixou em herança esta quinta e cujo nome era D. Luisa Maria de Mendonça e Távora, casado com o conde de Santiago, D. Lourenço de Sousa Meneses.

  6. Dulce Helena diz:

    Drª Máxima

    Sei bem da excelência das suas investigações e dos seus trabalhos científicos. Foi em 2010 que Carolina Beatriz Ângelo que nos pôs em contacto!!.
    Mais uma vez obrigada pelas suas informações.

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