Penamacor afirma-se «Vila Madeiro»

Penamacor - © Capeia Arraiana

Inspirada da maior e mais viva tradição de Penamacor, o Madeiro de Natal, a Câmara Municipal está a promover um evento designado «Penamacor Vila Madeiro» pelo qual pretende dinamizar o mês de Dezembro.

Penamacor Vila Madeiro

Penamacor Vila Madeiro

O evento Vila Madeiro decorre em dois momentos:
o primeiro, que acontece nos dias 6,7 e 8 de Dezembro, para além do abate, do convívio nocturno no campo, do cortejo e deposição do Madeiro no adro da igreja, é constituído de um Mercado de Natal, a realizar no Jardim da República, onde artesãos e produtores locais são convidados a apresentar as suas melhores sugestões para as prendas de Natal, em tendas montadas pela Câmara, que também se responsabiliza pela iluminação natalícia, pela decoração das ruas e por um programa de animação de espaços públicos;
O segundo momento terá lugar nos dias 20 (realização do baile da «Malta94») e 23 e 24, coincidentes com a queima do Madeiro.
Em ambas as datas, o desafio é converter as ruas de Penamacor numa festa contínua, sobretudo nas imediações da igreja, mercê da iniciativa dos comerciantes, que, além de serem instados a primar na decoração das montras, são convidados a abrir os seus estabelecimentos sem limitação de horário, dando-lhes o uso que entenderem por aqueles dias (p.ex., transformar a sua loja de pronto-a-vestir ou a sua retrosaria numa sala de chá ou numa «licoria»). De igual modo se apela às Associações e aos particulares a abrir portas e a instalar negócios (tasquinhas e venda de produtos diversos) nas próprias casas ou em casas que se encontrem devolutas cedidas para o efeito.
Ao mesmo tempo é lançado um concurso para as melhores receitas de bolos e licores à base de mel, produto local que a Câmara Municipal quer impor como uma referência do concelho, associado à Malcata e às Terras do Lince.

Transporte de lenha para o madeiro

Transporte de lenha para o madeiro

Ao contrário de outras tradições, que manifestamente entraram em declínio ou desapareceram mesmo um pouco por todo o lado, o Madeiro, em todo o concelho de Penamacor, mantém a força e vitalidade de outros tempos. Sendo isto verdade para todas a freguesias, o Madeiro de Penamacor alcançou um destaque inigualável, mercê de um salutar bairrismo gerado entre a «malta do ano» e da cumplicidade, apoio e carinho dos familiares, população e instituições da Vila.
Considerado o maior do país, frequentemente notícia nas páginas dos jornais e motivo de reportagem nas revistas e televisões nacionais, foi, em 2011, eleito «A Tradição Mais Criativa de Portugal» numa votação online, de onde resultaria a rodagem de uma curta-metragem intitulada «Terra do Fogo».
Ciente da mais-valia que um tal património pode representar em termos de animação e desenvolvimento local, a Câmara Municipal de Penamacor, dentro do mais completo respeito pela tradição e em concordância e estreita colaboração com a «Malta de 94», propôs-se levar a efeito o evento Vila Madeiro, que procura congregar a vila e o concelho em torno daqueles objectivos, apelando ao envolvimento de toda a população, comerciantes, artesãos e particulares, que assim terão oportunidade de diversificar a sua actividade e aumentar os seus rendimentos.

O Madeiro em chamas

O Madeiro em chamas

O Madeiro de Penamacor
O Madeiro, designação que assume a fogueira do Menino Jesus, é tradição forte em terras de Penamacor.
Todos os anos, com o aproximar do Natal, por todas as freguesias do concelho, os jovens em idade de cumprir o serviço militar unem-se para cortar e transportar os troncos que alimentarão a fogueira para aquecer o Menino Jesus. O grande monte de madeira, depositado no adro da igreja, é ateado ao cair da noite do dia 24, excepto o de Penamacor, que arde de 23 para 24. Depois da ceia de Natal, a população reúne-se em redor da fogueira, num gesto ritual de fraterno encontro.
Em Penamacor, a chegada do Madeiro tem data marcada e o acto assume foros de festividade. De facto, no dia 8 de Dezembro, a população acorre generosamente à rua para saudar o cortejo de camiões e tractores, em número que procura sempre bater o antecedente, onde os jovens do ano – outrora só os rapazes, agora também as raparigas – empoleirados nos troncos, atiram à rebatina os frutos do ramo de laranjeira que a praxe manda trazer, cantando acompanhados à concertina.
Mas nem sempre as coisas se processaram de forma tão pacífica. Tempos houve em que encontrar lenha para o Madeiro era tarefa bem mais complicada. Dependentes da boa vontade das casas ricas locais, cujas ofertas ficavam aquém do desejado, os jovens viam-se na necessidade de roubar lenha, bois e carros, tudo a coberto da noite, para dar prova do brio da «malta das sortes». Assim se passava na generalidade das freguesias, onde a população ainda mantém o hábito de sair em peso à rua na noite da consoada. O Madeiro de Penamacor ganhou fama de ser o maior do país.
plb (com CM Penamacor)

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