Brinquedos e brincadeiras de antigamente (6)

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

:: :: CASTELEIRO – JOGO DA BILHARDA :: :: – «…o trágico está na perda de capacidade de criar, de recriar e de construir ideias, de gerar coisas que rolam, que mexam, que produzam sons, que divirtam os criadores…»

Jogo da Bilharda - Capeia Arraiana

Jogo da Bilharda

Tal como o jogo do pião também a bilharda ocupava muito do tempo das brincadeiras dos rapazes da aldeia pacata do Casteleiro. Os jogadores exibiam dois paus, um maior (cerca de 60cm) e o outro mais pequeno (cerca de 15cm) e duas pedras idênticas a um paralelepípedo. O pau mais pequeno tinha as pontas afiadas em forma de cunha para facilitar o seu lançamento durante o jogo.
O Largo de São Francisco, o Largo da Fonte, a Estalagem, o Ribeirinho eram os locais onde os rapazes se juntavam para darem aso às suas habilidades.
O jogo da bilharda iniciava-se fazendo uma circunferência nestes espaços térreos, em que o diâmetro era duas vezes o comprimento do pau maior. Dentro da circunferência eram colocadas duas pedras com o nome de «mochos». Era nestas duas pedras que se apoiava as extremidades da bilharda. E com o pau grande entre as duas pedras, um dos jogadores iniciava o jogo lançando a bilharda do centro do circulo o mais longe possível e, de imediato, e antes que a bilharda caísse no solo, colocava o pau entre o «mocho». O outro, com a mão lançava a bilharda de modo a tocar no «mocho» ou no pau que se encontrava no meio. Se a bilharda não ficasse no círculo o segundo jogador perdia automaticamente. Depois, o jogador que ganhava tinha o direito de jogar a bilharda onde ela estava. De seguida era medida a distância, com o pau maior, até ao «mocho» e a pontuação equivalia ao número de vezes da medida do pau.
No início do jogo, quando se formavam as equipas, determinava-se a pontuação, normalmente eram cem pontos.
O objetivo deste jogo era fazer levantar a bilharda, batendo-lhe numa das extremidades e depois com o pau maior bater-lhe novamente para o tentar projetar o mais possível. Ganhava o jogador que conseguia lançar a bilharda para mais longe.

«Era… era… não há dúvida que a bilharda era o que se usava mais… Era o que gostava mais! E aquilo tinha regras! (…) Havia duas pessoas a jogar à bilharda, um tinha o pau para jogar à bilharda e o outro mandava-lhe a bilharda para a circunferência onde ele estava. Podia jogar-se três vezes…»
(Informante: José Rito)
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«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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