Brasão, selo e bandeira (4)

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

:: :: PARADA :: :: – Como se disse nos textos anteriores, a generalidade das autarquias possui os seus símbolos heráldicos. Esses símbolos, para cada povoação são uma espécie de denominador comum de toda a comunidade. Vamos conhecer a comunidade da Parada.

Brasão da Parada

Brasão da Parada

Parada era uma freguesia do concelho de Almeida localizada na parte mais a poente do território Municipal. Com um território relativamente plano, desenvolvido na cota 800 está localizada no planalto beirão. Parada foi uma freguesia até à reforma administrativa de 2013 a partir da qual passou a integrar a união de freguesias de Amoreira, Cabreira e Parada. Dessa freguesia fazia parte, até aquela reforma, a aldeia de Pailobo. Pailobo é uma zona menos plana pois desenvolve-se para sul da freguesia até ao leito do Noémi. A anterior freguesia da Parada era limitada por dois Rios: A norte pela Ribeira das Cabras e a sul pelo Noémi.

Em termos de acessibilidade é servida pela EN 324 do ponto de vista rodoviário. Em termos ferroviários pode servir-se da estação da Cerdeira na
linha da Beira Alta.
Esta aldeia pertenceu, durante muitos anos ao concelho de Castelo Mendo até à extinção deste em 1855. Nessa data, passou a integrar o concelho do Sabugal onde se manteve durante 40 anos. Em 1895 esta freguesia passou a integrar o concelho de Almeida.
Esta simples observação histórica, leva-nos a concluir que a célula comunitária da reforma administrativa não é o Município mas sim a freguesia e que antes disso correspondia às paróquias do ponto de vista eclesiástico.
Na verdade, o território desta freguesia nunca mudou. Teve a um nível territorial mais abrangente diferentes enquadramentos: Castelo Mendo, Sabugal, Almeida.

Parada no Município de Almeida

Parada no Município de Almeida

Bandeira da freguesia de Parada

Bandeira da freguesia de Parada

O brasão da freguesia da Parada apresenta como elementos mais destacados um monte pedregoso e um Lobo. Estes elementos refletem a grande importância que na freguesia tinha a sua anexa Pailobo aqui simbolizada pelo lobo. Por outro lado, a parte mais rochosa da freguesia da Parada localiza-se principalmente na zona de Pailobo em que a encosta voltada ao Noémi adquire uma rudeza cada vez maior quando se caminha para o rio. Também existem diversos maciços rochosos na parte norte da freguesia, agora voltados para a ribeira das Cabras e na sua margem direita.

Os símbolos heráldicos da Parada foram publicados no Diário da República, III série de 5 de Janeiro de 2005 e a sua descrição é a seguinte:
Escudo de ouro, lobo passante de negro, realçado de prata, animado, lampassado e armado de vermelho, em chefe, escudete de prata mantelado de negro; em campanha, monte pedregosos de azul , realçado de prata. Coroa mural de prata de 3 torres. Listel branco com a legenda a negro: «PARADA – ALMEIDA».
No listel branco consta o nome da freguesia, seguido do nome do concelho. Uma das razões principais para isto acontecer reside no facto de existirem no território nacional várias freguesias com o nome de Parada. Por isso, a aposição do concelho pretende no fundo transformá-la em única.

Da Parada fazia e faz parte a aldeia anexa Pailobo. Como em quase todas as anexas, sempre existiu ao longo do tempo uma certa rivalidade saudável entre a freguesia e a anexa. Por norma, na anexa acha-se que a freguesia devia fazer mais. Na freguesia acha-se que se faz de mais na anexa. É sempre assim e certamente assim continuará a ser seja na relação anexas/freguesias, nas freguesias/concelho, concelhos/regiões, regiões/governo, etc.

Igreja Matriz da Parada

Igreja Matriz da Parada

A Parada possui duas igrejas: A matriz e a de S. Domingos. Na anexa, Pailobo, existem também duas igrejas, naturalmente mais pequenas: A do Santo Antão e a do Senhor do Calvário, para além de um campanário afastado de qualquer das igrejas.

Campanário de Pailobo

Campanário de Pailobo

O facto de este campanário estar afastado de qualquer das igrejas tem de ter um significado especial. Como se sabe, a construção da generalidade dos campanários estava ligada às igrejas pela simples razão que eram essencialmente utilizados para serviços religiosos. Por isso, as torres dos campanários por norma ficavam fisicamente ligadas aos edifícios das igrejas e ás vezes o próprio acesso era feito pelo interior da igreja.
Este campanário não teve certamente uma origem como a dos restantes. Tudo me leva a concluir que o campanário de Pailobo é um monumento profano e não religioso. A sua construção deve ter partido da população e não da hierarquia da igreja que nem sempre soube acompanhar o evoluir da sociedade. A minha teoria é esta: O campanário foi construído pela população e depois de concluído, passou também a servir para o anúncio dos serviços religiosos. Mas não me parece que a sua função inicial fosse essa. Conhecendo o meio daqueles tempos não me admirava nada que o campanário tivesse surgido de uma «briga» do padre com a população que muitas vezes eram frequentes.

A população desta freguesia, como aconteceu em praticamente todas as do concelho se não mesmo do distrito, e desde que se conhecem dados, teve o seu máximo em 1911, tendo a partir dai decrescido praticamente todos os anos. Em 2011, data do último censo da população, tinha 114 habitantes enquanto que, em 1911 tinha cerca de 750.
As terras da Parada, na medida em que se trata de terras planas pois fica localizada numa zona plana que se desenvolve mais ou menos à cota 800, são férteis. Lá se produz batata, centeio, trigo e castanha, como acontece na generalidade das aldeias localizadas neste planalto.

Sobre a Parada, sua toponímia e outras curiosidades existe um blog em que alguns naturais têm divulgado aquela Terra (aqui). A Parada possuía, como a generalidade das freguesias, Escola Primária, onde eu próprio aprendi as primeiras letras, como é costume dizer-se.
Hoje esta Terra sofre do mesmo mal de todas as terras desta zona, de falta de pessoas jovens, embora do ponto de vista do apoio social aos mais idosos exista o centro de dia que supre muitas das carências que aqueles normalmente têm.
A Parada foi uma das freguesias que deixou de o ser com a reforma administrativa de 2013 em virtude da drástica diminuição da sua população. Hoje, esta antiga freguesia formou, juntamente com a Cabreira e Amoreira uma nova autarquia, a União de freguesias de Amoreira, Parada e Cabreira (aqui).
Convidar quem quer que seja a visitar a terra onde vivemos os primeiros tempos da nossa vida, é quase uma obrigação nata pois quer queiramos quer não, é dali que nós somos, foi ali que o nosso carácter começou a ser formado. Por isso, não diremos que é o melhor local do mundo, mas é certamente um daqueles onde nos sentimos melhor. Claro está que a antiga anexa da freguesia é pelo menos tão merecedora duma visita como a própria freguesia. Ninguém se arrependerá quando fizer uma visita, posso eu garantir.
As pessoas que ainda lá residem à semelhança de outras aldeias na zona, gostam de ser visitadas não só pelos familiares mas também pelas pessoas de outras locais. Venham à Parada e, de caminho vão até Pailobo.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

jfernandes1952@gmail.com

One Response to Brasão, selo e bandeira (4)

  1. Maria Emília de b diz:

    Saudades imensas da Parada do Côa onde me criei!!!!

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