A ousadia de Figueira de Castelo Rodrigo

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O Município de Figueira de Castelo Rodrigo, face ao abandono a que o governo vem votando a sua população, decidiu afectar 300 mil euros por ano para criar um seguro de saúde gratuito para os habitantes do concelho.

Apresentação do projecto «Seguro de Saúde Municipal - Figueira Saudável»

Apresentação do projecto «Seguro de Saúde Municipal – Figueira Saudável»

Trata-se de uma medida inovadora e ousada. O presidente figueirense, Paulo Langrouva, resolveu cortar a direito em socorro de uma população maioritariamente idosa, carente de cuidados de saúde e que não tem médicos suficientes para a atender no centro de saúde local.
O «Seguro de Saúde Municipal – Figueira Saudável», para o qual vai ser lançado concurso público, garantirá que a totalidade dos habitantes do concelho (6.290 pessoas) tenham acesso gratuito a consultas de clínica geral ou de especialidade. A Câmara, através do seguro, garante o custeio das consultas e do respectivo transporte, para que cada utente vá ao médico a qualquer clínica num raio de 150 quilómetros.
E o intrépido autarca aponta as razões imediatas para a medida que tomou em mãos: um quarto dos habitantes de Figueira de Castelo Rodrigo não tem médico de família e o centro de saúde local, que chegou a ter nove médicos, tem hoje três e a partir de Novembro ficará reduzido a dois.
Trata-se, sem dúvida, de uma medida ousada, pensada para fazer face ao desespero de se assistir a uma imparável perda do bem-estar da população de um concelho do interior que o governo quis abandonar à sua sorte.
Este autarca não se conforma com o fecho dos serviços do Estado ou com a diminuição da sua importância. Enfrenta com coragem os bloqueios e aponta caminhos para o contorno de obstáculos que muitos consideram inultrapassáveis.
Independentemente do sucesso deste projecto, o seu lançamento em conferência pública, que mereceu largas repercussões a nível nacional, é já uma vitória. Demonstra que há espaço para a indignação e para o inconformismo perante a aparente fatalidade com que o poder central tem confrontado as terras do interior do país.
É preciso reagir perante uma política de terra queimada que terá como consequência última a desertificação do interior e o encerramento das suas aldeias, vilas e cidades, para gáudio de uns quantos que assim pensam conseguir sanear as finanças públicas.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

5 Responses to A ousadia de Figueira de Castelo Rodrigo

  1. Joaquim Luís Gouveia diz:

    Caro Paulo Batista!

    Aplaudo sem qualquer reserva a iniciativa do autarca de FCRodrigo.
    Sem dúvida que é uma medida inteligente, de alguém (que não conheço) que não descarta aqueles que o elegeram, de alguém para quem as pessoas estão primeiro.
    É evidente que para o governo, para aqueles que tudo prometeram a estas populações indefesas depressa as esqueceram, rapidamente deixaram de andar de mota, que muito bem exibiram no dia da sua tomada de posse, para ordenarem ao seu “Ambrósio” a abertura da porta do seu brilhante automóvel de alta cilindrada.
    Como terá tempo este governo para se preocupar com a saúde das gentes de Figueira de Castelo Rodrigo, se ninguém no Conselho de Ministros conseguiu ainda, resolver a famosa fórmula matemática que, um dia, sabe-se lá quando, há-de conseguir colocar os professores nem que seja pela centésima vez; ou mesmo encontrar o sitio ao Citius!…
    Boa Presidente!
    Não desista de exercer o seu cargo ao serviço do bem estar da população que o elegeu.
    Já pensou se um dia algum dos ministros do governo deste país tivessem que ocupar a sua cadeira?!

    Concordo com o PB, o senhor já venceu!

    Joaquim Gouveia

  2. JFernandes diz:

    A ideia até pode não ter sucesso. Mas vale por ela própria. É de pessoas com ideias e que as apresentem para por em prática que nós precisamos.
    Aqui está um beirão que não se resignou.
    Merece todo o nosso apoio.
    Parabéns sr. Presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo.
    jfernandes

  3. José Manuel Rito diz:

    Ola Paulo,
    Todos os Políticos têm a tentação de agradar da maneira mais fácil e sem preocupação dos porquês do que está a acontecer no nosso interior:
    Temos estradas sem movimento, parques e praças ,ruas com granito serrado às moscas e alguns já cheios de ervas.
    Operações às cataratas, Municípios endividados. Resumo:GESTÃO FEITA COM MUITA PARRA E COM POUCA UVA.
    Com isto não estou de qualquer forma a questionar se não temos direito aos melhores cuidados de Saúde, mas sim, penso de que este não será o modelo que nos vai garantir a Assistência Médica de que necessitamos e muito menos o desenvolvimento económico que seria urgente para que as pessoas se fixassem e o tal modelo de Seguro de Saúde fosse viável. PORQUE NÃO VAI SER, dado os contratos de Saúde terem muitas letras pequenas que ninguém lê.
    Enquanto batermos palmas a medidas de palco, que como outras são pagas com o dinheiro dos OUTROS, sim porque os Municípios não pagam, mas sim o Cidadão… Há muitas medidas que os políticos tomam como se fossem por conta deles ou de empresas onde nem um centavo lá investiriam.
    José Manuel Rito

    • Joaquim Luís Gouveia diz:

      Senhor Manuel Rito!

      Sem entrar em grandes conflitos de opinião que, certamente, seriam muitos, quero apenas deixar aqui alguns considerandos ao seu comentário recente:
      – O Serviço Nacional de Saúde que o atual governo se encarrega de destruir é sem dúvida uma das maiores liberdades de abril de 1974;
      – Mas à semelhança desta,outras conquistas correm perigo tais como, o direito à educação, à justiça, ao emprego, à alimentação …
      – O Poder Local foi outra das conquistas de abril. Foi através dele que as populações, mesmo as mais esquecidas, ganharam vós e direitos.Viram as ruas das suas aldeias bem arranjadas, água canalizada nas suas casas, tiveram direito à habitação social…
      – É verdade com o Poder Local as pessoas passaram a ter alguém que se preocupasse com elas, sim, mesmo quem lhes tratasse das cataratas!…
      – Com o Poder Local fizeram-se muitas coisas … aquilo a que o senhor chama “Muita parra e pouca uva”
      – Agora percebo AINDA melhor a dimensão do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo que, perante a apatia de um Estado e de um Governo, para com as gentes do seu concelho!
      A ação em causa não trata, nem “parras” nem de “uvas”, mas sim da melhoria dos cuidados de saúde dos seus munícipes.

      Chama a esta ação de propaganda?

      Senhor Presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo nunca desista de olhar pelos direitos dos seus munícipes!

      As pessoas, sempre primeiro!

      Joaquim Gouveia

  4. nicolau diz:

    Boa Tarde Sr. Joaquim Gouveia.
    Li com atenção o seu comentario.Tive o cuidado de dizer que não queria questionar o direito á saude que todo o ser tem,assim como outros direitos. No entanto tenho muitas duvidas que o sistema que estão a seguir tenha sucesso,pelo que conheço do sistema de seguro de Saúde…..Mas com todos os melhoramentos que o Senhor refere..Pergunto eu, PORQUE É QUE AS PESSOAS SE VÃO EMBORA DO INTERIOR..???? , Sera que os investimentos não teriam que seguir outro rumo. Pois é Senhor Gouveia quando não tivermos gente para comer as UVAS aqui ficam sem qualquer utilidade. A pensar nas pessoas é que teremos que tomar outras atitudes, mas essas sim dariam muito trabalho e muitas xatices. Cumprimentos

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