Ah! A prova dos professores…

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

Façamos um pequeno exercício de memória. Nos anos idos dos governos de Sócrates, mandava no feudo da educação uma tal Maria de Lurdes Rodrigues e tendo como fiel escudeiro um tal Valter Lemos. Foi por esta altura que começou a guerra com os professores e se inventou a tal prova.

A prova nada mais é do que uma arma de arremesso

A prova nada mais é do que uma arma de arremesso

A sua criação nunca foi a de, verdadeiramente, aferir as competências dos candidatos a professores. Isso já o fizeram as universidades e politécnicos habilitados para tal pelo Ministério da Educação, ou não? A tal prova nada mais é do que uma arma de arremesso. E confirmou-o o secretário de estado, quando afirmou que «não estava a ver professores a prejudicar outros professores». Primeira correcção: segundo o ministério os que vão fazer a prova são «candidatos» a professores. E segundo, dizer que, também os professores e candidatos a professores, não contavam com um ministério que, em vez de estar do seu lado, se barrica numa guerra declarada contra os professores.
O que interessa é despedir/vedar o acesso á carreira. Mas se esta está fechada, não existem vagas, para quê fazer uma prova que nada garante?! E depois, repito, para que se faz uma licenciatura, um estágio pedagógico se, depois, é um teste psico-técnico que afere a capacidade para se ser professor?
Contudo, naqueles idos anos do socratismo, foi montada uma campanha difamatória contra os professores que prevalece até hoje. Que os professores são uns malandros. Por isso, foi facilíssimo ao sr. Crato ser autor do maior despedimento de que há memória.
Mas, como lhes dizia, esta história começou lá atrás. Começou com o fim da forma democrática da eleição das direcções das escolas. Nessa altura era preciso arranjar «tachos» para os boys e jotas e acabar com o poder dos professores na eleição das direcções das escolas. Agora assistimos a esta manifestação «democrática» (leia-se pela calada) da marcação e convocatória da prova. É o eu quero, eu posso, eu mando! A prova está, no já longo silêncio, e no tratamento dado à recomendação da Comissão Europeia, com ameaça de tribunal, de resolver o problema dos professores com mais de três contratos (anos). Abriu-se um concurso mísero, criou-se uma lei que viola a lei e… assobia-se para o lado.
Na educação, tudo não passa de uma farsa, um faz de conta pedagógico. Este conceito foi substituído pelo de mercantilismo. Agruparam-se escolas, tornando-as num monstro de gestão e governação, simplesmente para dispensar professores, logo poupar. Que importa se é melhor para os alunos e a sua formação! Aumentaram-se alunos por turma, não como medida pedagógica, mas para dispensar professores. Reduziu-se, nalguns lados acabou mesmo, o ensino especial, não com o objectivo da inclusão, mas somente com o intuito de dispensar professores. Tornou-se a vida dos professores num infernal labirinto de burocracia, não para que se tornem melhores professores, mas para os amarrar um carneirismo, tolhendo a criatividade e a iniciativa e justificando a existência de uns quantos bardamerdas de cartão partidário que pululam no edifício do sistema da educação. No final haverá um preço a pagar. Portugal pagará caro este desinvestimento na educação. Claro que o sr. Crato já lá não estará. Nessa altura o Sr. Crato acrescentará ao seu curriculum o ter sido Ministro da Educação, mesmo que tenha acabado com a educação em Portugal. E a que haverá será dos grupos privados dos quais será conselheiro o sr. Crato.
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P.S. Defendi aqui que, se há prova, ela devia ser para todos os que servem o estado. E vejo agora que tinha razão. Uma deputada e candidata a uma federação partidária, escreveu na sua página do Faceboock um post cheio de erros ortográficos. Lá está, não fez a prova. E como se sairia o sr. Crato? Isto é tão ridículo que, se não fosse tão sério, era de rebolar no chão a rir! Isto e a entrada da Guiné Equatorial para a CPLP. É de bradar!
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«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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